Texto completo
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| Autor(es): |
Lucas Santos e Souza
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Tese de Doutorado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Biociências (IBIOC/SB) |
| Data de defesa: | 2024-11-01 |
| Membros da banca: |
Mariz Vainzof;
Ernesto da Silveira Goulart Guimarães;
Elen Haruka Miyabara;
Helga Cristina Almeida da Silva
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| Orientador: | Mariz Vainzof |
| Resumo | |
O músculo esquelético é um tecido abundante no corpo humano e bastante especializado em funções como locomoção, sustentação e reserva energética. A capacidade regenerativa desde tecido após lesões é marcante, e uma extensa e complexa rede de mecanismos que envolve inúmeros genes e proteínas são recrutadas para realizar tal função. Doenças neuromusculares, como as Distrofias Musculares, são resultantes de mutações em genes cujos papeis são essenciais para o correto funcionamento do músculo. A Distrofia Muscular de Cinturas 2B (DMC2B) é decorrente de mutações patogênicas no gene DYSF que codifica a proteína disferlina, e que atua na regeneração muscular e reparo de membranas. Estudos anteriores realizados pelo nosso grupo utilizando mioblastos humanos de um paciente DMC2B evidenciaram um prejuízo na diferenciação dos mioblastos pela formação de miotubos menores e contendo menos núcleos. Resultados adicionais mostraram que, em camundongos distróficos, a capacidade regenerativa é mantida, mas as fibras musculares permanecem pequenas e imaturas. Assim, neste trabalho, investigamos o efeito da ausência da proteína disferlina no processo de diferenciação e maturação das fibras musculares in vitro através da análise da expressão de genes e proteínas associadas ao processo em linhagens adicionais de mioblastos de três pacientes com DMC2B. Nós identificamos que a diferenciação celular nestas linhagens está de fato prejudicada, pela significante redução no tamanho dos miotubos e pelo predomínio de pequenos miotubos com poucos núcleos. Conseguimos comprovar este efeito através do silenciamento do gene DYSF por CRISPR/Cas9 em mioblastos normais, confirmando o papel importante da disferlina na miogênese. Vimos que a ausência de disferlina não altera significantemente a expressão de genes associados ao desenvolvimento muscular e de novos genes identificados recentemente com o processo. Também pudemos demonstrar que as linhagens DMC2B possuem um perfil de expressão gênica global que difere dos controles especialmente em vias e processos biológicos associados à organização e regulação do citoesqueleto que estão intrinsicamente relacionadas ao desenvolvimento muscular. Assim, trouxemos evidências que indicam que a deficiência da disferlina está relacionada a um atraso no processo miogênico, em que a expressão de alguns genes não acompanha o mesmo padrão observado nas células normais. Por fim, reportamos o estudo de uma família com pacientes afetados por DMC2B estudada há bastante tempo. Neste estudo, identificamos as mutações patogênicas no gene DYSF causadoras da doença, e pudemos correlacionar a presença de uma das mutações com um background genético europeu que pode estar associado à grande variabilidade clínica existente entre os indivíduos afetados da família. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 20/04744-8 - Avaliação do processo de regeneração muscular na Distrofia Muscular das cinturas tipo 2B |
| Beneficiário: | Lucas Santos e Souza |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |