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A multiplicidade de visões dos entregadores sobre o trabalho por plataformas digitais: da valorização da flexibilidade às formas de cooperação e resistência

Texto completo
Autor(es):
André Scerb
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD)
Data de defesa:
Membros da banca:
Alvaro Augusto Comin; Caetano Patta da Porciuncula e Barros; Rafael do Nascimento Grohmann; Ianaira Barretto Souza Neves
Orientador: Alvaro Augusto Comin
Resumo

Este trabalho, que está inserido dentro da agenda de estudos que examina o processo de plataformização e seus impactos sobre o mundo do trabalho, tem por objetivo principal discutir as percepções e os discursos formulados por entregadores que atuam por meio de plataformas digitais acerca das condições e do cotidiano vivenciado no exercício dessa atividade. O estudo baseou-se na realização de pesquisa de campo em duas frentes; uma presencial, que contou com a condução de entrevistas, além da realização de observação participante atuando como entregador por plataformas de delivery na cidade de São Paulo, e, outra, digital, feita a partir do acompanhamento e da análise das interações de entregadores em grupos de conversa em aplicativos de mensagens instantâneas. Argumenta-se que as percepções desses sujeitos acerca do seu trabalho, a despeito das particularidades e da heterogeneidade de perfis daqueles que compõem o grupo, são formuladas em termos das vantagens e desvantagens que eles enxergam no trabalho, as quais são, em geral, elaboradas com base em outras experiências ocupacionais experimentadas em suas trajetórias, e nas perspectivas e oportunidades de inserção no mercado que vislumbram ou não. As noções de flexibilidade, autonomia, e a sensação que eles têm de ganhar de acordo com o próprio esforço são tidas como grandes convenientes dessa modalidade de trabalho pela maioria dentre esses trabalhadores. Num segundo momento da pesquisa, foca-se nos usos feitos por entregadores das plataformas de comunicação instantânea e defende-se o argumento de que elas servem como instrumento de socialização entre os membros dos grupos, mas, mais do que isso, como ferramenta de contrabalanceamento do poder algorítmico das plataformas, na medida em que são mobilizadas como um espaço de trocas de experiências, resolução de dúvidas e problemas frente à assimetria de poder e informação que é característica do chamado gerenciamento algorítmico do trabalho. Argumenta-se ainda que a comunicação estabelecida por meio das plataformas de mensagens são instrumentos de resistência porque servem também à mobilização e à organização dos trabalhadores que derivam do compartilhamento e da elaboração coletiva realizada pela troca de experiências, que, no limite, contribui para a promoção da coesão e a formação de identidades no interior do grupo (AU)

Processo FAPESP: 21/03544-8 - Gestão algorítmica do trabalho: um estudo das percepções de motoristas e entregadores sobre o trabalho em plataformas
Beneficiário:André Scerb
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Mestrado