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Itinerário terapêutico e busca por cuidados à saúde de mulheres lésbicas e bissexuais cisgênero: um olhar para o câncer de mama e ginecológico

Texto completo
Autor(es):
Carolina de Souza
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (PCARP/BC)
Data de defesa:
Membros da banca:
Manoel Antonio dos Santos; Cintia Bragheto Ferreira; Marislei Sanches Panobianco; Daniela Barsotti Santos
Orientador: Manoel Antonio dos Santos
Resumo

Revisão sistemática da literatura não identificou pesquisas sobre câncer de mama e ginecológico que tenham abordado a questão da assistência às mulheres não heterossexuais acometidas. Nessa direção, torna-se relevante pensar nas especificidades que acompanham o itinerário terapêutico de mulheres lésbicas e bissexuais que tiveram suas trajetórias de vida interceptadas pelo câncer. Também é relevante investigar o que as mulheres lésbicas e bissexuais que não vivenciaram o câncer de mama e ginecológico imaginam que seja necessário durante o tratamento oncológico para que as pacientes não heterossexuais que receberam o diagnóstico tenham acesso a cuidados de saúde adequados. Considerando esses pressupostos, este estudo teve como objetivo compreender os significados construídos por mulheres lésbicas/bissexuais diagnosticadas com câncer de mama ou ginecológico em seus itinerários terapêuticos e de mulheres lésbicas/bissexuais sem diagnóstico de câncer em suas trajetórias de cuidados em saúde. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo-exploratório, com recorte transversal e que tem como referencial teórico os estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Participaram da pesquisa dez mulheres que se autoidentificaram como lésbicas e uma mulher bissexual. A amostra foi composta por quatro participantes com diagnóstico de câncer de mama e sete sem diagnóstico de doença oncológica. Foram realizadas entrevistas semidirigidas com questões que buscaram circunscrever as experiências das mulheres lésbicas e bissexuais com e sem histórico de doença oncológica em sua busca por atendimento nos serviços de saúde. As entrevistas foram realizadas individualmente, mediadas pelo uso de tecnologia, com duração de 33 a 152 minutos, e gravadas mediante autorização das participantes. O conteúdo audiogravado foi transcrito literalmente e na íntegra. Posteriormente, os dados foram organizados com base na análise temática reflexiva e analisados e discutidos com amparo dos estudos feministas de gênero na perspectiva da saúde. Três artigos empíricos foram produzidos no intuito de responder aos objetivos desta pesquisa. O Artigo 1 abordou exclusivamente as participantes que não tiveram diagnóstico de câncer, focalizando sua busca por exames preventivos, que podem facilitar a identificação da doença em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz. Elas relataram que se consultaram com a ginecologista pelo menos uma vez e realizaram exames preventivos. Entretanto, destacaram que as profissionais de saúde não estão adequadamente preparadas para atender às necessidades das mulheres que desafiam o padrão heteronormativo. O Artigo 2 abordou exclusivamente o itinerário terapêutico das participantes que tiveram câncer de mama. As temáticas mais comumente encontradas foram: o tempo de espera para o diagnóstico, custos financeiros do tratamento, utilização do serviço público e/ou privado e a maneira como foram recebidas pelas profissionais que as atenderam. Todas as participantes relataram situações de desconforto vivenciadas nos serviços de saúde, o que reforça o despreparo das profissionais para lidar com a diversidade sexual, questão que também foi abordada no Artigo 1. O Artigo 3 concentrou-se nas experiências vividas pelas pacientes durante o tratamento oncológico, bem como os significados que as mulheres lésbicas sem diagnóstico construíram sobre o câncer de mama. Um achado interessante de ser destacado é que as experiências desafiadoras das mulheres que enfrentaram o câncer foram descritas com precisão pelas participantes que não vivenciaram esse diagnóstico. A questão da invisibilização da orientação sexual nas consultas médicas e o medo de sofrer discriminação nos serviços de saúde emergiram nos relatos das participantes do Artigo 3 e também foram temas elencados nos Artigos 1 e 2, aspectos que merecem atenção na definição de prioridades de políticas públicas e na formação dos profissionais de saúde. (AU)

Processo FAPESP: 20/09464-3 - Itinerário terapêutico de mulheres lésbicas com Câncer Ginecológico na perspectiva de gênero
Beneficiário:Carolina de Souza
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado