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Estudo do efeito de nanopartículas de prata biogênicas em organismos aquáticos

Texto completo
Autor(es):
Luiz Gustavo Ribeiro
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ/SBD)
Data de defesa:
Membros da banca:
Ana Olívia de Souza; Francine Côa; Leonardo Fernandes Fraceto; José Roberto Kfoury Junior; Juliana Delatim Simonato Rocha
Orientador: Ana Olívia de Souza
Resumo

As nanopartículas de prata (AgNPs) têm sido amplamente estudadas devido às suas propriedades antimicrobianas e ao potencial de aplicação em setores como medicina, agricultura e indústria farmacêutica. Neste estudo, foram avaliadas AgNPs biossintetizadas utilizando diferentes espécies de fungos do filo Ascomycota, incluindo Aspergillus tubingensis, Aspergillus spp., Cladosporium pini-ponderosae, Fusarium proliferatum, Epicoccum nigrum, Exserohilum rostratum e Bionectria ochroleuca, isolados dos biomas brasileiros, manguezal e Caatinga. As AgNPs foram caracterizadas por espectroscopia no ultravioleta e no vísivel (UV- Vis), espalhamento dinâmico de luz (DLS), potencial zeta (PZ), microscopia eletrônica de transmissão (TEM) e espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR). As AgNPs apresentaram tamanhos entre 21,8 e 120,6 nm, PZ negativo e revestimento proteico. A atividade antifúngica foi testada em leveduras patogênicas presentes principalmente em ambiente hospitalar (Candida albicans, Candida krusei, Candida glabrata, Candida parapsilosis, Candida tropicalis e Candida guilliermondii) e fitopatógenos (Fusarium oxysporum, Fusarium phaseoli, Fusarium sacchari, Fusarium subglutinans, Fusarium verticillioides e Curvularia lunata). As concentrações inibitórias mínimas (CIMs) foram de 1,25 a 250 µM, demonstrando amplo potencial antifúngico. O efeito das AgNPs obtidas utilizando o fungo A. tubingensis (AgNP-AT) foi avaliado em camarão Palaemon pandaliformis e em tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus). No camarão, a exposição a 10 µM de AgNP-AT reduziu o consumo de oxigênio em 60% e a excreção de amônia em 87%, com alterações morfológicas reversíveis, nas brânquias e no hepatopâncreas. As concentrações letais médias (CL50) para o camarão foram de 17,4 µM em 24 h e 0,5 µM em 96 h. Para a tilápia, a CL50 foi de 8,8 µM em 96 h, indicando menor sensibilidade às AgNP-AT em comparação ao nitrato de prata (AgNO3), que apresentou CL50 de 0,028 µM. O alto valor da CL50 das AgNP- AT indica que a liberação dos íons Ag+ ocorre de forma mais lenta do que quando na forma livre (AgNO3) pela presença da camada proteica externa, que além da estabilidade proporciona menor toxicidade a este nanomaterial. Na tilápia, a exposição a 30, 35 e 40 µM de AgNP-AT resultou em aumento no consumo de oxigênio e redução na atividade de natação, sem alterações na excreção de amônia. Morfologicamente, houve diminuição do comprimento e aumento da largura das lamelas branquiais, indicando estresse fisiológico. O AgNO3 apresentou toxicidade significativamente maior, com efeitos agudos e severos em ambos os organismos aquáticos testados. Os resultados demonstram o potencial das AgNP-AT como agente antifúngico de amplo espectro e revelam a importância de avaliar o impacto ambiental da utilização deste nanomaterial, especialmente em organismos aquáticos sensíveis conhecidos como indicadores da condição ambiental. O estudo representa uma contribuição para o desenvolvimento de aplicações seguras dessas nanopartículas na biotecnologia. (AU)

Processo FAPESP: 20/03883-4 - Estudo do efeito de nanopartículas de prata biogênicas em Zebrafish, Tilápia-do-Nilo e Lambari
Beneficiário:Luiz Gustavo Ribeiro
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado Direto