Texto completo
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| Autor(es): |
Lucas Oliveira e Silva
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Tese de Doutorado |
| Imprenta: | Piracicaba. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALA/BC) |
| Data de defesa: | 2025-05-09 |
| Membros da banca: |
Roberto Sartori Filho;
Mario Binelli;
Victor Enrique Gomez Leon
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| Orientador: | Roberto Sartori Filho |
| Resumo | |
A compreensão dos processos que regulam o eixo hipotalâmico-hipofisário-ovariano (HPO) é essencial para o controle da função reprodutiva em fêmeas bovinas, possibilitando o desenvolvimento de biotecnologias para otimização da eficiência reprodutiva. O objetivo desta tese foi determinar o papel dos hormônios esteroides, progesterona (P4) e estradiol (E2), na modulação do eixo HPO e liberação de gonadotrofinas (FSH e LH) em fêmeas bovinas. Complementarmente, buscou-se caracterizar diferenças na função hipotalâmico-hipofisária entre fêmeas Bos taurus e Bos indicus. O estudo 1 avaliou a influência do estágio folicular (pré- ou pós-desvio) e das concentrações circulantes de P4, na liberação de FSH e LH e dinâmica ovariana em novilhas Bos indicus (Nelore) submetidas a um protocolo de sincronização à base de E2 e P4. O estágio folicular no inicial não afetou a liberação de FSH e LH, nem o desenvolvimento da onda folicular subsequente. No entanto, altas concentrações de P4 resultaram em maior supressão das concentrações de LH antes da emergência folicular, bem como maiores concentrações de FSH e menor número de folículos subordinados após a emergência, causando um sutil atraso no momento do desvio folicular. Embora o crescimento inicial do folículo dominante não tenha sido afetado, seu crescimento e capacidade esteroidogênica após o desvio foram negativamente impactado por alta P4. No estudo 2, novilhas Bos taurus (Hereford), Bos indicus, (Brahman) e cruzadas (F1), previamente ovariectomizadas, foram submetidas a condições hormonais de ausência, queda ou altas concentrações circulantes de P4 para determinar o efeito desses ambientes, bem como do grupo genético, no perfil de liberação de pulsos e pico de LH. Altas concentrações de P4 reduziram, enquanto a queda das concentrações de P4 aumentou a frequência de pulsos de LH, em comparação ao ambiente sem P4. Contudo, nem a ausência nem a queda das concentrações de P4 resultaram em maior pico de LH induzido por GnRH do que o observado sob altas concentrações de P4. Ainda, independentemente do ambiente, novilhas Bos indicus tiveram menor amplitude dos pulsos endógenos e do pico de LH induzido por GnRH, apesar de apresentarem frequência de pulsos similar à das Bos taurus. No estudo 3, as mesmas novilhas Brahman e Hereford, sob altas concentrações de P4, foram submetidas a uma alta frequência de pulsos de GnRH, induzidos de forma endógena ou exógena, para determinar o efeito desse estímulo, bem como do grupo genético, no perfil de liberação de pulsos e pico de LH. Tratamentos com kisspeptina ou GnRH efetivamente induziram uma elevada frequência de pulsos de LH, apesar da alta P4. Entretanto, esse estímulo não aumentou a responsividade da hipófise a um desafio com GnRH. Adicionalmente, embora o padrão de liberação de pulsos de LH (endógenos ou induzidos) tenha sido similar entre os grupos genéticos, o pico de LH induzido por GnRH foi consistentemente menor em novilhas Bos indicus. Coletivamente, os resultados demonstram que a P4 exerce uma importante função regulatória no eixo HPO, modulando a liberação de FSH e a frequência de pulsos de LH, impactando diretamente o desenvolvimento folicular e a produção de E2. Entretanto, aparentemente, nem a P4, nem a alta frequência de pulsos de GnRH exercem efeito direto e independente na responsividade da hipófise ao GnRH. Possivelmente esse efeito é mediado pelo rápido aumento das concentrações circulantes de E2, sob baixas concentrações de P4 e consequente elevada frequência de pulsos de GnRH/LH. Por fim, embora pouca diferença tenha sido observada no padrão de liberação pulsátil de LH, os resultados indicam que diferenças na responsividade da hipófise a um estímulo ovulatório de GnRH podem contribuir para diferenças na função reprodutiva entre fêmeas Bos indicus e Bos taurus, independentemente das concentrações de P4. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 21/09924-7 - Efeito de hormônios esteroides na modulação da resposta hipofisária e liberação de gonadotrofinas em fêmeas bovinas |
| Beneficiário: | Lucas Oliveira e Silva |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |