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Terapia celular com macrófagos e células natural killer moduladas ex vivo por peptídeos isolados de veneno animal: uma nova abordagem em imunoterapia para tratamento do câncer

Texto completo
Autor(es):
Amanda Pires Bonfanti
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Campinas, SP.
Instituição: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Biologia
Data de defesa:
Membros da banca:
Catarina Raposo Dias Carneiro; Vinícius de Oliveira Boldrini; Isabel Kinney Ferreira de Miranda Santos; Priscila Pini Zenatti; Ana Lucia Tasca Gois Ruiz
Orientador: Fernando Guimarães; Catarina Raposo Dias Carneiro
Resumo

Os gliomas são os tumores malignos primários mais comuns do sistema nervoso central em adultos. Eles são altamente invasivos e heterogêneos, tornando o tratamento difícil. Os glioblastomas (GBM) são o tipo mais comum e agressivo de glioma. Mesmo com os tratamentos disponíveis atualmente, os GBMs continuam associados a alta morbidade e mortalidade. A imunoterapia contra o câncer envolve interferir no sistema imunológico para fortalecer ou modificar as defesas contra o tumor. Estudos do nosso grupo mostraram que o veneno da aranha Phoneutria nigriventer teve efeito citotóxico na linhagem de GBM humano NG97 e ativou células dendríticas, ambos in vitro. Porém, ainda não havíamos investigado os efeitos do veneno nas células do sistema imune inato. Isso nos levou aos objetivos do presente estudo: esclarecer os efeitos do veneno e seus componentes purificados em macrófagos e células NK, incluindo análises in vitro (para avaliar efeitos no fenótipo e na função dessas células), bem como in vivo, em modelo xenogênico de GBM (para avaliar a eficácia clínica dos tratamentos). Inicialmente, foi realizada uma prova de conceito, por meio do tratamento de animais com GBM induzido no dorso, por meio da inoculação de células da linhagem NG97. O resultados mostraram que a administração do veneno (100 ?g/Kg) a cada 48 horas, durante 14 dias, reduziu o tamanho do tumor e promoveu grandes áreas necróticas (histopatológico), o que justifica a baixa captação de 18F-FDG observada nas imagens de PET-CT. Aumentou a infiltração de macrófagos nas regiões peri e intratumorais (imunohistoquímica) e aumentou o número de monócitos e células NK circulantes (hemograma e citometria de fluxo). A análise dos efeitos do veneno no fenótipo e função de macrófagos e células NK isoladas mostrou que o PnV (14 ?g/mL, por 24 h) e o seu componente isolado (denominada LW-9; 1 ?g/mL) modularam macrófagos com perfil M1 induzido por LPS, aumentando sua capacidade fagocítica, citotóxica e migratória. No perfil M1 polarizado com LPS e IFN-?, a LW-9 aumentou IL-6 (1 ?g/mL, mas não houve alteração com 0,1 ?g/mL) e reduziu IL-10 (em ambas as concentrações), indicando ativação tanto fenotípica quanto funcional desse perfil. Nas células NK, a LW-9 (1 ?g/mL, por 5 h) aumentou a liberação de IFN-?, sugerindo ativação dessas células. Foi possível confirmar que as células de GBM NG97 são alvo das NK, mesmo que não estimulada e a ativação com IL-2 (controle) e com LW-9 não aumentou a ação efetora das NK. Porém, a LW-9 aumentou a citotoxicidade das NK contra suas células alvo controle (YAC-1). Por fim, foi realizada a terapia celular adotiva (NK e macrófagos M1 ativados previamente, com LW-9 1 ?g/mL por 5 h para NK e LW-9 0,1 ?g/mL por 2 h para M1) em animais com GBM (inoculação intracerebral de células NG97), sendo os seguintes grupos experimentais: 1) NK, 2) NK + M1, 3) M1, 4) LW-9 sistêmica; foram realizados três grupos controle: Controle sem tumor, Controle Sham e Controle com tumor e sem tratamento. Os três tratamentos (NK, NK+M1, LW-9) experimentais reduziram o tumor em relação ao grupo não tratado (significativo apenas para o grupo tratado com NK). Todos os tratamentos reduziram a quantidade de macrófago infiltrado no TME, menos o grupo que recebeu M1. O tratamento com LW-9 sistêmica induziu aumento de IFN-? e redução de TNF-?. A análise histopatológica mostrou tumores com menor celularidade e vascularização nos animais tratados com NK e com LW-9 sistêmica. Portanto, o presente estudo contribuiu para esclarecer os efeitos da LW-9 sobre macrófagos e células NK e para iniciar o estabelecimento de um protocolo de terapia celular adotiva. O estudo também trouxe esclarecimentos sobre o crosstalk entre macrófagos e células NK no contexto do TME. Outros protocolos serão testados aumentando o tempo de tratamento e reduzindo o intervalo de administração, bem como terapia combinadas com a temozolomida (quimioterápico padrão ouro para GBM). O presente estudo apresenta uma abordagem inovadora e promissora, visando contribuir com o tratamento do GBM e com potencial para ser testada em outros tumores sólidos (AU)

Processo FAPESP: 18/23559-7 - Terapia celular com macrófagos e Células NK moduladas ex vivo por peptídeos isolados de veneno animal: uma nova abordagem em imunoterapia para tratamento do câncer
Beneficiário:Amanda Pires Bonfanti
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado