Texto completo
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| Autor(es): |
João Vitor Moreira
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Dissertação de Mestrado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD) |
| Data de defesa: | 2025-03-21 |
| Membros da banca: |
Manoel Luiz Goncalves Correa;
Maria Angela Paulino Teixeira Lopes;
Emerson de Pietri
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| Orientador: | Manoel Luiz Goncalves Correa; Juliana Alves Assis |
| Resumo | |
Este trabalho tem por objetivo problematizar a relação entre o ensaio e a escrita acadêmico científica, ambição que se desdobra em dois eixos correlacionados, mas independentes: o primeiro, vinculado ao universo editorial, apoia-se na análise de 14 publicações para compreender, a partir da noção de arquivo (Guilhaumou; Maldidier, 2010), quais aspectos sustentam a classificação de determinados textos como ensaios. O segundo eixo, estruturado a partir de 32 relatórios de leitura produzidos em uma disciplina de pós-graduação, investiga a recepção de estudantes a publicações designadas como ensaios pelos respectivos autores e periódicos, partindo da hipótese de que, por apresentarem características não necessariamente compatíveis com a parametrização normativa do discurso acadêmico-científico, esses textos favoreceriam, em contexto de letramentos acadêmicos, a construção de um ponto de vista crítico quanto às relações de dominância e subalternidade que regem as ciências. O percurso teórico-metodológico articula princípios da análise do discurso de linha francesa (Pêcheux, 1998, 1990) com o pensamento bakhtiniano acerca da natureza dialógica da linguagem (Bakhtin, 2003), estendendo-se, ainda, às reflexões sobre práticas de letramentos que enfatizam a sua dimensão social (Street, 1984; Lea; Street, 1998), rompendo com visões tradicionalmente grafocêntricas e utilitaristas. Os resultados indicam que parcela considerável dos textos analisados apresenta algum grau de conformidade estrutural a artigos científicos, sendo rotulados como ensaios graças a inadequações diversas em relação a um modelo padrão do artigo científico, prototípico das ditas ciências duras e amplamente legitimado como forma central de circulação do saber. No contexto didático-pedagógico, por sua vez, observa-se que o ensaio, justamente por instaurar tensões inerentes à forma, pode ser empregado como via de questionamento acerca das relações de poder nas ciências, favorecendo a construção de uma visada crítica nos processos de letramentos acadêmico-científicos (AU) | |
| Processo FAPESP: | 23/07165-7 - O ensaio como ponto de inflexão na escrita acadêmico-científica: subjetividade, acontecimento e forma |
| Beneficiário: | João Vitor Moreira |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Mestrado |