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Metodologia de produção de moscas estéreis de Cochliomyia hominivorax (Coquerel, 1858) (Diptera: Calliphoridae) no Brasil

Texto completo
Autor(es):
Thiago de Araújo Mastrangelo
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Piracicaba.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Centro de Energia Nuclear na Agricultura
Data de defesa:
Membros da banca:
Julio Marcos Melges Walder; Helder Louvandini; Márcia Cristina de Sena Oliveira; José Roberto Postali Parra; Cecilia Jose Verissimo
Orientador: Julio Marcos Melges Walder
Resumo

Dentre as espécies de moscas que causam miíases, destaca-se a Cochliomyia hominivorax (Coquerel, 1858) (Diptera: Calliphoridae), a qual se encontra distribuída em alguns locais do Caribe e nos países da América do Sul. Por ser um parasita obrigatório, é considerada um dos maiores problemas da pecuária mundial, acarretando prejuízos da ordem de milhões de dólares por ano em vários países. Dentro do manejo integrado das miíases, as principais estratégias de controle são o uso de agrotóxicos e a chamada Técnica do Inseto Estéril (TIE). A implementação desta última, em particular, permitiu a erradicação de C.hominivorax da América do Norte e de toda a América Central entre 1957 e 2004, sendo agora mantida uma barreira biológica na fronteira entre Panamá e Colômbia. Os esforços para erradicação ainda continuam na Jamaica e várias ilhas do Caribe, e diversos países da América do Sul já expressaram interesse pela TIE. Visando apoiar os projetos de controle de C. hominivorax com o uso da TIE nos países do MERCOSUL, foram realizados estudos de criação, esterilização com raios X e compatibilidade reprodutiva de linhagens. A colônia de C. hominivorax foi estabelecida com sucesso no CENA/USP e na Biofábrica MOSCAMED Brasil, e entre as gerações F1 e F18 chegou a ser produzido um volume de 30,9 L de pupas ( 257.200 pupas). Os valores dos parâmetros de controle de qualidade da criação foram semelhantes aos da biofábrica do México e do laboratório do USDA-ARS. Para escolha do melhor substrato de oviposição, foram testados 4 tratamentos à base de carne, fígado e dieta larval podre, sendo que o de dieta larval podre+coágulo e sangue bovino citratado foi o que permitiu maior oviposição e viabilidade de ovos. A temperatura base estimada para o desenvolvimento embrionário foi de 13,1 ºC, com uma constante térmica de 9,17 GD. Foram testadas 6 diferentes dietas para adultos à base de mel, rapadura, ovo spray dried, melaço e hemácias spray dried, sendo que todas permitiram alta fecundidade e fertilidade. Nos bioensaios de dieta larval, foram testadas duas dietas líquidas, com bagaço de cana ou fibra de coco, a dieta padrão de carne e uma dieta de gel. Não houve diferença significativa entre os parâmetros de controle de qualidade das dietas e a dieta de gel provou ser viável e de menor custo. Para determinação das doses esterilizantes, pupas com 24 h antes da emergência dos adultos foram irradiadas com 10, 25 e 60 Gy de raios X. As doses que induzem 99% de esterilidade foram estimadas em 43,7 e 47,5 Gy para machos e fêmeas, respectivamente. Para estudar a compatibilidade reprodutiva e competitividade entre linhagens, foram realizados 4 testes com cruzamentos entre uma linhagem do Caribe (Jamaica-06) e a brasileira. Como não foi encontrada incompatibilidade reprodutiva nem problemas de competitividade entre as linhagens, campanhas de supressão da mosca da bicheira no MERCOSUL poderiam utilizar moscas estéreis tanto da região do Caribe quanto do Brasil (AU)

Processo FAPESP: 09/51354-1 - Metodologia de produção de moscas estéreis de Cochliomyia hominivorax (Coquerel, 1858) (Diptera: Calliphoridae) no Brasil
Beneficiário:Thiago de Araújo Mastrangelo
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado