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Evolução de terrenos tectono-metamórficos da Serrania do Ribeira e Planalto Alto Turvo (SP, PR)

Texto completo
Autor(es):
Frederico Meira Faleiros
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Geociências
Data de defesa:
Membros da banca:
Ginaldo Ademar da Cruz Campanha; Renato de Moraes; Renata da Silva Schmitt; Marcos Egydio da Silva; Luiz Sergio Amarante Simoes
Orientador: Ginaldo Ademar da Cruz Campanha
Resumo

Numerosos terrenos pré-cambrianos de origem enigmática são individualizados nas regiões do vale e serrania do Rio Ribeira e Planalto Alto Turvo (SP, PR), com base em histórias evolutivas contrastantes e diferentes padrões litotectônicos, metamórficos e estruturais. Esses terrenos suspeitos formam três grandes terrenos compostos justapostos no final do Ciclo Brasiliano: Terreno Apiaí, Terreno Curitiba e Terreno Luís Alves. A evolução geotectônica de uma área que abrange estes três terrenos compostos foi investigada por meio da integração de análises petrológicas, microestruturais e estruturais, apoiadas com trabalhos de mapeamento geológico e compilação e integração de dados geocronológicos disponíveis. Os estudos foram concentrados em unidades geológicas representativas de cada um dos três terrenos compostos. Análises petrológicas, estimativas geotermobarométricas e quantificações de trajetórias PT mostram que os terrenos estudados apresentam assinaturas metamórficas contrastantes, refletindo ambientes geotectônicos distintos. O Grupo Votuverava e a Seqüência Serra das Andorinhas (Terreno Apiaí) passaram por metamorfismo barroviano com caminhamento P-T horário sob pressões e temperaturas máximas ao redor de 8 kbar e 550-650ºC. Parte do Complexo Turvo-Cajati (Terreno Curitiba) apresenta gradiente metamórfico acima do barroviano, com pico metamórfico (650-800ºC) sob pressões relativamente altas (9-12 kbar). Parte desta unidade passou por uma trajetória horária com aquecimento isobárico até atingir o pico térmico, enquanto algumas rochas passaram por descompressão praticamente isotérmica. Datações químicas em monazita indicam que o pico metamórfico do Complexo Turvo-Cajati ocorreu entre 590 e 575 Ma, sendo consideravelmente posterior ao clímax metamórfico das unidades do Terreno Apiaí (>= 600-620 Ma). Trajetórias P-T estimadas para o Complexo Atuba (Terreno Curitiba) sugerem um caminhamento retrógrado com resfriamento praticamente isobárico de 750ºC até um reequilíbrio ao redor de 650-700ºC e 6-7 kbar; a união dos dados petrológicos, microestruturais e geocronológicos sugere que o pico metamórfico teria ocorrido no Paleoproterozóico e o reequilíbrio no Ediacarano. A Suíte Alto Turvo (Terreno Luís Alves) compreende granulitos máficos a intermediários formados no Paleoproterozóico sob temperaturas mínimas ao redor de 850ºC, parcialmente reequilibrados em condições de fácies xisto verde ainda neste período e marginalmente re-metamorfizados em condições de fácies xisto verde a anfibolito no Ediacarano, seguindo uma trajetória horária com pico metamórfico ao redor de 650ºC e 6 kbar. Os padrões estruturais do Terreno Curitiba na área estudada estão associados a uma tectônica de cavalgamentos para oeste e nappismo tardios em relação ao Ciclo Brasiliano e concomitantes com a atuação do sistema transcorrente destral regional na Faixa Ribeira. Os dados multidisciplinares disponíveis indicam que as relações espaciais atualmente observadas para os terrenos estudados não decorrem de relações genéticas e geográficas pretéritas. Os dados convergem para uma evolução geotectônica onde a acresção de diferentes terrenos suspeitos e, em alguns casos, exóticos teria ocorrido em posições diferentes das atualmente observadas, sendo que a justaposição final teria sido controlada por dispersão lateral ao longo das grandes zonas de cisalhamento transcorrentes em períodos tardi- a pós-metamórficos. (AU)

Processo FAPESP: 02/13654-4 - Caracterização de terrenos tectono-metamórficos no extremo Sul do estado de São Paulo
Beneficiário:Frederico Meira Faleiros
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado