| Processo: | 18/23468-1 |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado |
| Data de Início da vigência: | 01 de abril de 2019 |
| Data de Término da vigência: | 31 de março de 2022 |
| Área de conhecimento: | Ciências Humanas - Antropologia - Etnologia Indígena |
| Pesquisador responsável: | Renato Sztutman |
| Beneficiário: | Karen Gomes Shiratori |
| Instituição Sede: | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil |
| Assunto(s): | Xamanismo Agrobiodiversidade |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | agrobiodiversidade | Etnologia indígena | Filosofia das plantas | Jamamadi | xamanismo | Filosofia das plantas |
Resumo Partindo dos problemas conceituais postos pela etnografia dedicada aos Jamamadi (Shiratori 2018), povo de língua arawá do médio rio Purus (AM), este projeto de pesquisa versa sobre o seu "fitomorfismo metafísico", que constitui o registro analógico fundamental da imaginação coletiva deste povo, bem como as suas consequências etnológicas e filosóficas para uma reconceitualização da relação com as plantas. A importância do universo vegetal para o pensamento jamamadi (como também de outros povos arawá) os singulariza dentro da paisagem etnográfica na qual a relação especulativa dominante dos humanos com o ambiente privilegia a fauna antes que a flora. Neste sentido, o projeto 1) pontua e problematiza a ênfase que os estudos recentes sobre as dimensões "animistas" ou "perspectivistas" das cosmologias amazônicas deram ao mundo animal, tanto do ponto de vista prático-etológico (caça, predação) como simbólico-cosmológico (mitologia, ritual) em detrimento de outras formas de vida, notadamente as plantas (restritas aos domínios da consanguinidade e convivialidade). 2) E, através da sistematização da bibliografia especializada, o projeto busca ampliar o seu escopo para além da contribuição restrita ao interflúvio Juruá-Purus em vista de abordar os efeitos teórico-conceituais produzidos com o reposicionamento das plantas sobre as socialidades indígenas de outras regiões etnográficas sul-americanas. Em suma, pelo fato da antropologia jamamadi investir fortemente em esquematismos fitomórficos, fundamentando uma cosmologia onde a vida das plantas e a vida dos humanos se espelham e se entrelaçam em múltiplas dimensões, tal singularidade etnográfica convida a uma reavaliação das imagens produzidas pela etnologia recente a respeito do universo conceitual, estético e ético dos povos amazônicos, em consonância com um interesse renovado de diferentes áreas do saber pelo universo vegetal, em especial, a filosofia. | |
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