Resumo
A rica diversidade biológica dos ecossistemas marinhos os tornam abundantes em compostos bioativos propícios ao desenvolvimento de produtos biotecnológicos inovadores. Diversas pesquisas comprovaram, por exemplo, que a biosílica extraída de esponjas marinhas possui propriedades osteogênicas e nosso grupo recentemente demonstrou que os seus efeitos osteoindutores podem ser até mesmo superiores aos do biovidro padrão-ouro em bioatividade, o Bioglass®45S5. Nesse contexto, esta proposta visa aproveitar esse potencial da biodiversidade marinha brasileira para o desenvolvimento de um novo biovidro do sistema SiO2-Na2O-CaO-P2O5, a partir de biosílica proveniente de esponjas marinhas, para emprego na engenharia do tecido ósseo. Da sua concepção à aplicação experimental, serão 3 etapas: (1) o desenvolvimento e a caracterização físico-química do biomaterial particulado e de scaffolds via impressão 3D; (2) estudos in vitro envolvendo testes indiretos (extratos) e diretos (contato célula-scaffold) em células precursoras de osteoblastos e abrangendo diversas análises relacionadas desde a citogenotoxicidade do biomaterial até seus efeitos no metabolismo e na função celular; (3) estudos in vivo com a implantação cirúrgica do scaffold 3D de biovidro em defeitos ósseos em ratos. Com isso, os resultados desses estudos fornecerão dados quanto ao processamento e o potencial osteogênico pré-clínico de um novo biovidro, que serão preciosos para o desenvolvimento de biomateriais de alta efetividade, em termos de qualidade e acessibilidade ao cidadão, para o tratamento das afecções do tecido ósseo a partir do aproveitamento sustentável da rica biodiversidade marinha de um planeta justamente chamado de "azul". (AU)
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