Resumo
Microplásticos (MPs) têm sido considerados poluentes emergentes, definidos como qualquer partícula sólida sintética ou matriz polimérica, de forma regular ou irregular e com tamanhos variando entre 1 ¼m e 5 mm. Uma vez introduzidos nos ambientes de águas doces, estudos ecotoxicológicos que permitam estimar os efeitos biológicos dos microplásticos são fundamentais para compreender a problemática, estabelecer limites aceitáveis e possíveis tratamentos, de modo a manter a proteção da vida aquática e equilíbrio ambiental. A investigação sobre a toxicidade de diferentes tipos, formas, tamanhos e concentrações de microplásticos devem ocorrer de modo isolado para que seja possível estimar a relação entre as características e concentrações com os efeitos biológicos, compreender a dinâmica desses poluentes amplamente distribuídos e estimar condições seguras de exposição. No entanto, também é preciso, para fins de gestão e manejo, averiguar a dimensão do impacto ambiental dos microplásticos quando em interação com poluentes orgânicos e metálicos, tornando a abordagem do estudo mais realística. Além disso, é importante avaliar o impacto em diferentes níveis tróficos. Diante do exposto, o objetivo da presente pesquisa será avaliar os aspectos da toxicidade de fragmentos de MPs secundário de tereftalato de polietileno (PET) puro em diferentes frações granulométricas (d75 µm; entre 75µm e 105µm e entre 300 µm e 425 µm), com concentrações representativas de águas doces (330 partículas. L-1) e de esgoto (980 partículas. L-1) sobre diferentes níveis tróficos: produtores primários (microalgas) e consumidores (zooplâncton e adultos da espécie de peixe Danio rerio) As condições acima descritas serão testadas em mistura com poluentes metálicos (nanopartículas óxido-metálicas e Cd, cujas concentrações máximas permitidas para proteção da vida aquática pelo CONAMA 357/05 e Agencia de Proteção Ambiental Norte Americana - U.S. EPA/2016 são de 10µg.L-1 e 7,9µg.L-1 respectivamente) e poluente orgânico (fosfato de cloroquina -valores representativos de corpos de águas superficiais - 0,6µg.L-1; 1,86µg.L-1 e concentrações seguras estimadas na literatura - 0,007µg.L-1). Para tanto, os biomarcadores utilizados serão bionômicos, fisiológicos, bioquímicos (proteínas totais; proteínas carbonilas; triglicerídeos, glicose, LDH e MDH) e histológicos, quali-quantitativos (tecidos branquiais, gonadais, hepático e nervoso). Os resultados dos ensaios serão analisados estatisticamente para averiguar o impacto ecotoxicológico desses poluentes isolados e em co-exposição. (AU)
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