Resumo
A Estomatite Relacionada a Prótese (DRC) ou Estomatite Protética, é uma reação inflamatória que ocorre dentre outros fatores, principalmente, devido a uma infeção fúngica por Candida albicans e por NCA (Candida não-albicans) nos tecidos bucais em portadores de próteses totais ou próteses parciais removíveis. A maioria dos usuários de dispositivos protéticos desenvolvem esta patologia, que está associada ao envelhecimento da população, ao aumento da idade das próteses, a infecções fúngicas, ao trauma de mucosa e à pobre higiene dental. As diferentes espécies de Candida aplicam mecanismos de patogenicidade diversos tais como formação de biofilme, adaptação a temperatura e expressão de moléculas que podem aderir-se as superfícies dos biomateriais odontológicos, colonizando-os. Esta infecção é altamente recidivante, face a adesão de Candida às superfícies poliméricas das próteses, bem como seu perfil de resistência cada vez mais prevalente. Diante disto, é preciso verificar o uso da nanotecnologia neste contexto devido às propriedades antimicrobianas e antivirais das nanopartículas de prata biogênicas (AgNP@Bio) que podem ser sintetizadas através de tecnologia sustentável usando microrganismos e sem reagentes tóxicos. As AgNP liberam a Ag(I) e induzem a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), favorecendo o dano oxidativo nas células fúngicas, através da ruptura da membrana e parede celular do microrganismo. Na odontologia, a literatura relata o uso de AgNP como antimicrobianos e seu emprego como revestimento da resina base da prótese como opção para tratar a DRC in vitro. Entretanto, os estudos publicados trataram-se de pesquisas in vitro, que não consideraram as peculiaridades da cavidade bucal, tais como o envelhecimento sofrido pelo ciclo térmico bucal e pela umidade constante. Desta forma, esta pesquisa se propõe a tratar superfícies protéticas termopolimerizáveis com AgNP biogênicas, envelhecendo-as através da exposição a ciclos de temperatura e umidade equivalentes a 1 mês de uso dos dispositivos protéticos na cavidade bucal e a 5 meses de uso dos dispositivos protéticos no ambiente bucal. Após isto, será verificada a cor, a rugosidade, a atividade fungicida e fungistática, a interferência na formação de biofilme fúngico e se houveram alterações na morfologia do biomaterial empregado. Para tanto, é importante ressaltar que o nosso grupo de pesquisa já publicou artigos que fazem referência à presença de diferentes espécies de Candida em lesões de estomatite protética em Salvador/ Bahia, bem como o seu perfil de resistência e susceptibilidade in vitro a extratos de diferentes própolis e a nanopartículas de prata biogênicas, tendo também recentemente desenvolvido know how para testes de atividade de cimentos odontológicos em diferentes agentes microbianos. Com isto, este projeto dá um passo a frente nesta cadeia de atividades de pesquisa, visando o desenvolvimento de tecnologia nacional baseada em nanotecnologia, onde as AgNP@Bio sintetizadas no Brasil serão associadas a biomateriais odontológicos. (AU)
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