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Arquitetura Evanescente: a destruição de edifícios cariocas em perspectiva histórica

Processo: 18/09137-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2018 - 30 de setembro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Fernando Atique
Beneficiário:Fernando Atique
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Assunto(s):Patrimônio cultural  Rio de Janeiro  Preservação 

Resumo

De que maneira é possível uma história da não preservação? Esse questionamento é, sem dúvida, o mote desta obra. Se, no Brasil, nas últimas duas décadas têm sido possível verificar uma proliferação de estudos dedicados à seara preservacionista, ainda não temos, com grande ênfase, reflexões sobre o patrimônio que se esvaiu. Esta obra procura entender o fenecimento de estruturas edificadas no território da cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970. Mediante a investigação desenvolvida ao longo de dois anos ao abrigo de um Auxílio Regular à Pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP - encontramos índices preciosos para a compreensão do envolvimento dos habitantes daquela cidade - e até mesmo de outras plagas - com as decisões políticas do campo patrimonial. Assim, produzimos este livro atentando para duas edificações-chave para o entendimento da vida urbana, política e social, mas também para a arquitetura, stricto sensu, do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX. Especificamente, estudam-se o Palácio Monroe, projetado por Marcelino de Souza Aguiar (1855-1935) e erigido pelo governo republicano para servir como Pavilhão Brasileiro na Exposição do Centenário da compra da Louisiana, em 1904, nos Estados Unidos, sendo remontado no Brasil, em 1906, para servir de sede para importantes instituições políticas nacionais, como a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Até 1976, quando, então, foi demolido, a edificação foi tomada como espaço referencial para a cidade do Rio de Janeiro. Seu desaparecimento em plena polêmica decorrente da negativa de seu tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN - colocou-a num patamar de questionamento acerca dos critérios usados pelo órgão preservacionista brasileiro nas atividades de patrimonialização. A essa edificação soma-se o estudo do Solar Monjope, erigido entre 1926 e 1928, para servir de residência ao médico e crítico de artes José Marianno Carneiro da Cunha Filho (1881-1946), mecenas e autopropalado defensor do movimento neocolonial de arquitetura, no Rio de Janeiro. Esta casa, construída com o objetivo de ser um manifesto construído das ideias de José Marianno, foi palco de importantes encontros políticos para a classe arquitetônica e para os artistas brasileiros, retratada e divulgada em todas as Américas até a morte de seu idealizador, em 1946. Daquela data até 1972, a casa foi preservada pelos herdeiros e as referências a ela no cenário das artes e da arquitetura cresceram, mas, também foi divulgada em revistas de variedades, serviu de cenário para filmes e álbuns matrimoniais e era vista como um ambiente de valor paisagístico. Essas atribuições de "valor" eram tantas que acabou sendo indicada ao tombamento pelo IPHAN, algo não homologado, e que acarretou sua demolição para uso da área pela especulação imobiliária nos anos 1970. O estudo dessas duas edificações permite, pois, entender como os órgãos de preservação atuantes no território carioca lidaram com edifícios que, embora ligados a discussões acadêmicas e eruditas sobre os valores arquitetônicos, acabaram sendo alvo de demandas pró-preservação de não especialistas, advindas, de certa forma, de grande ala da sociedade carioca. Esta realidade preservacionista advinda de setores diversos daquele dos "especialistas" deflagrou a procura por aquilo que se convencionou chamar de "circuito social da obra", ou seja, o entendimento da idealização, da produção, da construção, da circulação e da recepção dessas arquiteturas como deflagradores de mecanismos de memória, que repercutem no meio social para além do imaginado pelo projetista, levando-nos a questionar os limites da evanescência arquitetônica. (AU)