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A privação materna é um fator de risco para o transtorno de estresse pós-traumático induzido por imersão em água em ratos Wistar machos e fêmeas?: participação do neuropeptídio Y

Processo: 19/21980-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de setembro de 2020 - 31 de agosto de 2022
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Neuropsicofarmacologia
Pesquisador responsável:Deborah Suchecki
Beneficiário:Deborah Suchecki
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados:Carlos Eduardo Neves Girardi
Assunto(s):Modelos animais  Privação materna 

Resumo

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é desencadeado por um evento traumático e caracteriza-se por sintomas comportamentais, neuroquímicos e psicobiológicos, com prejuízos importantes para a vida dos pacientes. Usualmente está associado com sintomas de depressão e ansiedade e resposta de cortisol desregulada. Outrossim, foi relatada a redução das concentrações de NPY no liquor e plasma de pacientes com TEPT, sugerindo que esse neuropeptídio tem uma função importante no TEPT. Porém estudos transversais em humanos não permitem inferir se essa redução é um biomarcador de vulnerabilidade ao TEPT ou consequência do trauma. Embora existam vários fatores de risco para aumento de vulnerabilidade para o desenvolvimento do TEPT, as adversidades na infância são um dos mais determinantes. Assim, utilizaremos um modelo de adversidade na infância para induzir vulnerabilidade e expor os animais a um trauma na idade adulta. A privação materna por 24 horas (PM) é um modelo de negligência extrema. Resultados de nosso grupo indicam que a PM aos 3 dias de vida (PM3) produz consequências mais graves do que aos 11 dias de vida (PM11). Em ambas as idade a PM reduz a expressão de NPY, com maior impacto no hipocampo dorsal de adolescentes PM3 do que PM11. Neste projeto queremos investigar se prejuízo no sistema do NPY induzido por estresse neonatal moderado ou grave representa um fator de risco para comportamentos do tipo TEPT e suas co-morbidades. Para tanto, filhotes de ratos serão expostos à PM3 ou PM11 e ao trauma de imersão em água (underwater trauma - UWT) quando adultos jovens. Três experimentos serão realizados para investigar o envolvimento do sistema do NPY com o TEPT: Experimento 1: Impacto da PM, associada ou não ao UWT, sobre comportamentos relacionados ao TEPT, atividade dos neurônios de NPY e expressão do receptor Y1. Ratos Wistar de ambos os sexos permanecerão com sua mães (CTL) ou serão submetidos à PM3 ou PM11 e no DPN 60 serão expostos ao trauma (UWT+) ou não (UWT-), resultando em 6 grupos experimentais. Nos DPNs 59 e 88, os animais serão submetidos ao teste de splash de sacarose, para determinação do comportamento hedônico basal e pós-trauma, respectivamente. No DPN 90, os animais serão avaliados no labirinto em cruz elevado (LCE), e a exploração dos braços abertos fornecerá o índice de ansiedade e a imobilidade, o índice de medo. O desempenho de cada animal será comparado ao do grupo CTL-UWT(-); aqueles com prejuízos em, pelo menos 70% das variáveis serão classificados como "vulneráveis", enquanto os outros serão classificados com "resilientes". Imunorreatividade do receptor Y1 de NPY e dupla marcação para NPY e proteína Fos será comparada entre grupos e subpopulações. Experimento 2: Curva dose-resposta de NPY em ratos Wistar machos com 60 dias de vida, tratados por 3 dias consecutivos após exposição ao UWT e testados no LCE. Trinta min após o LCE amostras de sangue serão coletadas para a determinação das concentrações de corticosterona (CORT). Experimento 3: Potencial do NPY em prevenir o desenvolvimento de comportamentos do tipo-TEPT. Ratos machos e fêmeas submetidos ou não à PM e/ou UWT serão tratados com NPY após o trauma e testados como no Experimento 1. Trinta min após o LCE, amostras de sangue serão coletadas para determinação das concentrações de CORT. Os resultados desse projeto poderão fornecer provas da função do NPY na vulnerabilidade ou resiliência ao TEPT e fornecer subsídio para elaboração de novas estratégias terapêuticas para esse transtorno. Este projeto foi concebido a partir da colaboração, financiada pelo Programa SPRINT da FAPESP (Processo no 17-50378-0) entre Profa. Dra. Deborah Suchecki, do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP e o Prof. Dr. Gal Richter-Levin, do Departamento de Neurobiologia da Universidade de Haifa, em Israel. (AU)