Resumo
A migrânea é uma cefaleia primária altamente prevalente e afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todas as regiões, culturas e níveis socioeconômicos do mundo. As disfunções musculoesqueléticas são comórbidas à migrânea e estão relacionadas às alterações nos parâmetros clínicos e funcionais da região craniocervical. Dentre os tratamentos disponíveis para a migrânea, o tratamento farmacológico é considerado o mais alto nível de evidência para o manejo dessa doença. Já o tratamento fisioterapêutico é uma das opções de intervenção conservadora, não farmacológica e não invasiva, adjuvante ao tratamento convencional das cefaleias. Independente da escolha terapêutica, a resposta é individualizada para cada paciente, mas ainda não está bem esclarecido a taxa de respondedores e não respondedores ao tratamento, bem como os fatores associados à resposta não estão bem descritos. O objetivo deste estudo será identificar e descrever os fatores prognósticos de tratamento de pacientes com migrânea relacionados aos parâmetros clínicos, função musculoesquelética e níveis de incapacidade, bem como aos fatores biopsicossociais relacionados, além de realizar uma análise qualitativa desses aspectos. Este é um estudo de desenho misto sequencial explicativo, composto por duas etapas de estudos quantitativos seguido de uma etapa com estudo qualitativo, conduzido com indivíduos migranosos para o desenvolvimento de um modelo preditivo de sucesso de tratamento e a descrição em profundidade dos aspectos que podem influenciar no tratamento. O estudo contará com três etapas distintas: Etapa I - avaliação da responsividade dos questionários e testes físicos para a avaliação de pacientes migranosos; Etapa II - estudo de coorte (longitudinal prospectivo) para a identificação dos fatores prognósticos para o tratamento da migrânea; e, Etapa III - estudo qualitativo exploratório com os respondedores e não respondedores da etapa anterior. A amostra das etapas I e II, que serão concomitantes, será composta por 100 participantes, com idade entre 18 e 55 anos, com diagnóstico de migrânea. O estudo contará com indivíduos que realizarem tratamento farmacológico e/ou fisioterapêutico para a migrânea, e serão avaliados em dois momentos distintos: pré-tratamento e após doze semanas de intervenção. A amostra da etapa III será recrutada entre os participantes das etapas anteriores, com a maior variedade possível de respondedores e não respondedores, objetivando um tamanho amostral de ao menos 30 participantes. Para a análise da responsividade interna dos questionários e dos testes físicos, os efeitos ceiling ou floor não deverão estar presentes em 15% ou mais dos participantes. Para a responsividade externa a abordagem baseada em âncora será utilizada para avaliar a capacidade de resposta dos questionários. A responsividade externa também será definida pela área sob a curva de característica de operação do receptor (AUC) utilizada para determinar a probabilidade de identificar os indivíduos que melhoraram considerando o conjunto de dados completo e uma AUC e 0,7 será considerada satisfatória. Para a identificação dos fatores prognósticos do tratamento, todas as prováveis variáveis preditivas serão inseridas em um modelo de regressão logística por etapas para determinar o conjunto mais preciso de variáveis. Os dados qualitativos serão analisados via análise temática. Por fim, a integração dos resultados quantitativos e qualitativos será realizada por exposições conjuntas, destacando áreas que são convergentes e divergentes nos resultados de ambas metodologias. Ao final do estudo, esperamos definir o cluster ideal de variáveis clínicas e psicossociais que permitam classificar pacientes migranosos que se beneficiarão com tratamento, além de identificar aspectos das experiências relatadas que podem contribuir na resposta ao tratamento. (AU)
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