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Análise do sistema IGF-IGFBPs em crianças portadoras do vírus HIV: correlação com crescimento

Resumo

A infecção pelo HIV em crianças é um problema de saúde pública em países em desenvolvimento, onde se estima que, a cada dia, 1.500 novas crianças são contaminadas, sendo a transmissão vertical responsável por cerca de 85% dos casos. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, uma população crescente de crianças infectadas desde o nascimento pelo HIV têm de atravessar todo o período de crescimento com o estigma da infecção pelo HIV e com todas as complicações decorrentes desta infecção. Crianças infectadas pelo HIV apresentam ganho pôndero-estatural deficiente, com baixo peso, poucas reservas para enfrentar situações de estresse como as infecções, e conseqüente elevada morbi-mortalidade. Estudos mostraram que alterações endocrinológicas como hipotiroidismo, diabetes mellitus, insuficiência adrenal, deficiência de secreção do hormônio de crescimento (GH) eram incomuns nestas crianças. Porém parte delas apresentava níveis reduzidos de insulin like growth factor I (IGF-I), hormônio peptídico que juntamente com o IGF-II são considerados os verdadeiros estimuladores do crescimento. Os IGFs (I e II), diferentemente dos demais hormônios protéicos, encontram-se na circulação e no espaço extracelular em associação com uma família de 6 proteínas transportadoras denominadas IGFBPs, cada uma delas apresentando reguladores distintos. O sistema IGF, do qual também fazem parte uma subunidade ácido lábil (ALS) e os receptores de IGF tipo 1 (IGF1R) e tipo 2 (IGF2R), é bastante dinâmico e as concentrações séricas de seus componentes podem variar de acordo com o estado nutricional, presença de doença crônica, fatores inflamatórios, excesso ou deficiência de outros hormônios, uso de determinadas medicações dentre outros. Até o presente momento não há uma descrição mais aprofundada da composição do sistema IGF em crianças HIV-positivas. Tal conhecimento poderá abrir novas frentes de intervenção terapêutica e minimizar a perda estatural destes indivíduos, possibilitando melhor inserção social. Neste trabalho, nos propomos a realizar um acompanhamento longitudinal de uma coorte de crianças HIV-positivas e correlacionar o crescimento linear com as concentrações dos diferentes componentes do sistema IGF, de citocinas pro-inflamatórias, do controle da infecção pelo HIV, dentre outros. OBJETIVOS: Descrever as concentrações séricas de diferentes componentes do sistema IGF (IGF-I, IGF-II, IGFBPs, atividade proteolítica anti-IGFBP-3, ALS) em crianças infectadas pelo HIV e verificar possíveis correlações com a velocidade de crescimento, com o controle da infecção pelo HIV e com os níveis séricos de citocinas pró-inflamatórias e da proteína C-reativa (PCR). MÉTODOS: Será realizado um estudo prospectivo em uma coorte de crianças infectadas pelo vírus HIV, cujos integrantes (crianças infectadas verticalmente pelo HIV, impúberes, entre 5 e 12 anos) serão avaliados quanto a peso e estatura nos tempos zero, 6 meses e 1 ano. Nestes tempos serão colhidas amostras de sangue para dosagens de componentes do sistema IGF (IGF-I, IGF-II, IGFBPs, atividade proteolítica anti-IGFBP-3, ALS), de citocinas pró-inflamatórias (IL-2, IL-6, TNF-alfa), de proteína C-reativa e de exames gerais considerados indispensáveis na avaliação do controle da infecção pelo HIV e do crescimento. As concentrações de IGF-I, IGF-II, IGFBP-3, citocinas e PCR serão determinadas por imunoensaios enquanto que as demais IGFBPs e ALS serão analisadas por Western ligand- e immuno-blotting. Um grupo controle de crianças saudáveis (seguidas em serviço de puericultura, impúberes, entre 5 e 12 anos) será avaliado quanto ao peso e à estatura somente em um momento, quando será colhida a amostra de sangue para dosagens de componentes do sistema IGF, de citocinas pró-inflamatórias e de proteína C-reativa. A análise estatística consistirá de descrição das variáveis contínuas, construção de intervalos de confiança 95%, teste de hipóteses para diferenças de médias e regressão linear para correlações. (AU)