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Catolicismo Indígena

Processo: 09/11774-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros
Vigência: 01 de novembro de 2009 - 31 de outubro de 2010
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Paulo Edson Alves Filho
Beneficiário:Paulo Edson Alves Filho
Instituição-sede: Pró-Reitoria de Graduação. Universidade de Sorocaba (UNISO). Sorocaba , SP, Brasil
Assunto(s):Tradução  Período Colonial (1500-1822) 

Resumo

No século XVI, época na qual a fé cristã passava por profunda reformulação, principalmente pelo advento da Reforma, os jesuítas formavam um quadro disciplinado e independente que deixaria traços marcantes nas novas sociedades com as quais interagiam e na própria sociedade européia, em particular pela criação e manutenção de instituições de ensino. Suas atividades relacionadas ao translatio imperii no além-mar trariam consigo contradições em relação ao poder temporal e dentro da própria Igreja: pragmatistas, os soldados de Jesus introduziram adaptações litúrgicas e até mesmo liberdades doutrinárias para levar os ensinamentos cristãos a sociedades não européias. A translatio (transferência) por eles operada adequava-se também às realidades dessas sociedades e, por consequência, o próprio dogma assumiria uma nova forma através das estratégias que eram utilizadas pelos homens pertencentes àquela ordem.Apesar de serem instrumentos articuladores do Estado colonizador, as atividades missionárias por diversas vezes adquiriram autonomia ao estabelecerem a condição universalizante da fé religiosa. Sob sua 'excelência espiritual', tentava-se reunir a pluralidade ao mesmo tempo em que o mundo europeu experimentava tentar compreender outras culturas sob os prismas da civilização e da religião.Para que a significação do paradigma religioso - que os jesuítas tentavam incutir nas sociedades autóctones no Brasil Colônia - fosse efetiva, fizeram-se necessárias concessões e permissões de certos modos de viver e pensar dos nativos. Dessa maneira, a inserção do Cristianismo não recusou totalmente a cultura indígena, mas sim, em certo grau, foi complacente com a tradição dos homens da terra. Se o esquema econômico e político imposto pela Coroa era truculento, no âmbito religioso tentava-se atingir um patamar comum, que, sob um prisma microscópico, encontramos, inclusive, nas diferentes estratégias de tradução operadas por Anchieta no processo de transmitir os conceitos espirituais da religião vinda da Europa. Uma das principais ferramentas de catequização utilizada por Anchieta foi a elaboração de um extenso corpus em língua vernácula. Tal tarefa implicou, entre outros, transferir conceitos explícitos ao tupi - a uma língua com pouca ou nenhuma aproximação de línguas européias. Nosso trabalho deter-se-á na análise desses textos e tentará trazer à tona o variado tratamento dado ao processo de tradução engendrado por Anchieta.Para construirmos nossa discussão, faremos algumas considerações sobre o projeto catequético e sobre as concepções que os europeus tinham a respeito dos indígenas, focalizando as observações de Cristovão Colombo e as discussões entre Bartolomeu de Las Casas e Juan Sepúlveda sobre o status dos aborígenes encontrados no Novo Mundo.Além disso, em nosso rabalho, compararemos as estratégias tradutórias de Anchieta com outras manifestações catequéticas semelhantes às ocorridas nas Filipinas, na América do Norte e na China. Através dessa análise, tentaremos estabelecer alguns pontos em comum entre elas. Detalharemos as obras de Anchieta em tupi, o tratamento linguístico dispensado pelo jesuíta na elaboração delas, seu motivo para escrevê-las e alguns aspectos da língua vernácula dos indígenas.Por fim, faremos uma confrontação dos escritos em tupi de Anchieta com as considerações de teóricos da tradução, como Eugene Nida, André Lefevere, Lawrence Venuti e Maria Tymoczko. A partir dos parâmetros fornecidos por esses autores, determinamos uma matriz classificatória para as diferentes estratégias tradutológicas empregadas pelo jesuíta na elaboração de seu corpus catequético. (AU)

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