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Onde vivem os monstros: criaturas prodigiosas na poesia hexamétrica arcaica

Processo: 17/02666-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2017 - 31 de maio de 2018
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literaturas Clássicas
Pesquisador responsável:Christian Werner
Beneficiário:Christian Werner
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Mitologia  Literatura oral  Poesia épica 

Resumo

A publicação resulta de tese de doutoramento desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Letras Clássicas da Universidade de São Paulo e financiada pela FAPESP. A tese analisa as criaturas amiúde consideradas monstruosas bem como os termos geralmente traduzidos por "monstro" presentes em três poemas da tradição de poesia hexamétrica arcaica, a saber, a Teogonia de Hesíodo, o Hino Homérico a Apolo e a Odisseia de Homero. Tal análise tem como foco o modo como tais criaturas são descritas e o papel que desempenham nas narrativas contidas nesses poemas. A abordagem teórico-metodológica para lidar com as particularidades de tal tradição poética constitui-se, de um lado, pela referencialidade tradicional proposta e desenvolvida por John Miles Foley ao longo da década de 1990 e, de outro, pela perspectiva de que os poemas da tradição hexamétrica arcaica compõem uma história do cosmo, conforme desenvolvida por Barbara Graziosi e Johannes Haubold na década de 2000. Como resultado da análise das criaturas e dos termos traduzidos por "monstro", questiona-se a pertinência da categoria "monstro" como geralmente pressuposta para essas criaturas no mundo moderno, tendo-se em vista que ela possa não existir na poesia hexamétrica arcaica, já que elas fazem parte de um sistema de pensamento em um mundo ainda não desencantado em termos weberianos, no qual a realidade empírica e a esfera divina enquanto representativa do sobrenatural estão profundamente imbricadas. Como instrumental teórico-metodológico para o questionamento acerca da existência ou não do monstro enquanto categoria em tal tradição poética, lançou-se mão das teorias de categorização de Wittgenstein, desenvolvida nas décadas de 1940 e 1950, daquelas desenvolvidas por Eleanor Rosch e sua equipe durante a década de 1970, bem como aquelas presentes nas obras de George Lakoff a partir da década de 1980. A proposição de que a categoria "monstro" como pressuposta e entendida no mundo moderno é inexistente para a poesia hexamétrica arcaica tem implicações para a compreensão moderna dessas criaturas, que devem ser percebidas como integrantes de um cosmo que não separa o sobrenatural, o maravilhoso e o divino nos mesmos termos que o faz a sociedade moderna ocidental, revelando a necessidade de compreendê-las sob o ponto de vista da tradição que as criou ou que as incorporou, atribuindo a elas outros significados. (AU)