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O manuscrito bruxelense de 1845 sobre List, de Karl Marx; o significado do desconhecido manuscrito na formação do pensamento de Marx: estudo de reconstituição das críticas do idealismo, da política e da economia política nos textos de 1843 a 1845

Processo: 13/15263-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2013
Vigência (Término): 31 de outubro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Fundamentos da Sociologia
Pesquisador responsável:Ricardo Musse
Beneficiário:Diego Augusto Maia Baptista
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):14/07746-0 - O manuscrito bruxelense de 1845 sobre List, de Karl Marx; o significado do desconhecido manuscrito na formação do pensamento de Marx: estudo de reconstituição das críticas do idealismo, da política e da economia política nos textos de 1843 a 1845 (BEPE), BE.EP.PD
Assunto(s):Teoria sociológica   Idealismo   Manuscritos   Economia política

Resumo

O objeto central da pesquisa é um manuscrito redigido por Marx em meados do segundo semestre de 1845, logo após seu retorno da viagem de estudos econômicos empreendida juntamente com Engels à Inglaterra, durante o período da estadia bruxelense. O texto só veio a público muito tardiamente, em 1971; assim, dentre os inúmeros registros marxianos publicados postumamente, estamos diante de um dos materiais mais recentemente divulgados. Passados já quarenta anos do aparecimento do texto, entretanto, ele segue praticamente ignorado nos estudos sobre a obra teórica de Marx, no marxismo e em linhas confluentes; mesmo na literatura alemã especializada esse texto é muito raramente mencionado, e em trabalhos brasileiros não há qualquer notícia sobre sua existência - a presente pesquisa lida, portanto, com um tema original, muito pouco explorado em âmbito internacional e totalmente inédito em âmbito nacional. A única referência ao texto em estudos brasileiros encontra-se em nossa tese de doutoramento (2013), em que realizamos o trabalho preliminar de tradução do texto, diretamente do alemão e com base no exame do fac-símile do original junto a MEGA (Marx-Engels Gesamtausgabe) na BBAW (Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften) - trabalho do qual o presente projeto constitui o necessário desdobramento e aprofundamento. Deste modo, pretendemos sanar uma incontestável e injustificada lacuna nos estudos teóricos sobre Marx, especialmente no que concerne ao importante problema da reconstituição da formação do seu pensamento. Ao encetar o trabalho nesse manuscrito que permaneceu inconcluso, Marx tinha em vista uma publicação contra o insigne economista alemão Friedrich List (1789-1846), mais precisamente, uma crítica sistemática de sua principal obra, o Sistema nacional da economia política, livro que obtivera grande sucesso e ampla aceitação na Alemanha desde sua publicação em 1841. Trata-se de um texto polêmico, característica marcante de toda produção marxiana de meados de década de 1840; do mesmo modo, é característico que aqui Marx também não se limite ao mero ataque, por meio do debate o autor exercita e desenvolve positivamente seu próprio pensamento, conferindo ao texto grande complexidade e um interesse para além da polêmica travada. No plano mais geral, observa-se que o texto estrutura-se conceitualmente em torno de três eixos, as críticas da filosofia especulativa, da política e da economia política. List é economista, e em seu livro ele debate com outros economistas - isso faz com que Marx discuta diversos problemas econômicos específicos, como o valor, a renda da terra, as forças produtivas etc., bem como nos permite conhecer o juízo de Marx sobre autores como Smith, Ricardo e Sismondi. Mas, além de economista, List é também alemão, e esta condição determina o caráter especificamente "nacionalista" do seu pensamento econômico, isto é, o papel do Estado como promotor de uma burguesia alemã retardatária (da qual List é o representante teórico). Com isso, a discussão é dirigida imediatamente para o campo da política, em que Marx reafirma sua perspectiva da emancipação humana por meio da revolução social dos trabalhadores, opondo-se a qualquer papel redentor do Estado. Ao mesmo tempo, a condição nacional-alemã de List determina também o necessário idealismo fundamental de sua teoria, idealismo ao qual Marx contrapõe a determinação social do pensamento como prisma para se compreender a evolução das teorias econômicas em conexão com a evolução da propriedade privada.Essa estrutura tripartite não é arbitrária, ao contrário, está inscrita no próprio objeto que Marx toma por mote, analogamente ao que ocorre com outros textos do autor. É a partir desses três eixos, portanto, que estabeleceremos uma comparação entre o manuscrito bruxelense de 1845 e os textos anteriores do autor, buscando explicitar as raízes de cada uma dessas críticas e situando assim o manuscrito de 1845 na perspectiva da formação do pensamento de Marx. (AU)