| Processo: | 16/06590-2 |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado |
| Data de Início da vigência: | 01 de setembro de 2017 |
| Data de Término da vigência: | 31 de outubro de 2020 |
| Área de conhecimento: | Ciências Humanas - Filosofia - Epistemologia |
| Pesquisador responsável: | Vladimir Pinheiro Safatle |
| Beneficiário: | Paula Cristina Galhardo Cepil |
| Instituição Sede: | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil |
| Bolsa(s) vinculada(s): | 18/05582-1 - Lacan e a fenomenologia: entre ruptura e retomada, BE.EP.PD |
| Assunto(s): | Psicanálise Fenomenologia (filosofia) |
| Palavra(s)-Chave do Pesquisador: | fenomenologia | Lacan | Merleau-Ponty | Psicanálise | Filosofia e psicanálise |
Resumo Este projeto visa a investigar a problemática do olhar nas obras de dois autores centrais do pensamento francês do período do pós-guerra, Maurice Merleau-Ponty e Jacques Lacan. Nossa hipótese é que o problema do olhar, tal como elaborado por esses dois autores, coloca em questão uma concepção tradicional da percepção visual, à qual está estreitamente ligado o projeto fenomenológico. Se é incontestável que a visão joga um papel fundamental na fenomenologia desde seu início (segundo Husserl, ela seria, afinal, uma "visão de essências"), a percepção visual é considerada como o ato de um sujeito que, situado fora do mundo fenomenal, acede a um plano ótico do qual ele não faz parte. O fenômeno do olhar representa uma ruptura com essa ideia de visão, na medida em que sua aparição provoca uma reviravolta de perspectiva: o olhar não é um objeto que o olho do sujeito vê, mas a experiência de ser visto. O olhar que faz com que nos sintamos visíveis é geralmente atribuído ao outro, não sendo assim passível de apropriação pelo sujeito e revelando uma consciência cujo correlato não pode ser um objeto intencional. Embora a problemática do olhar como uma inversão da perspectiva fenomenológica - a passagem do olho que vê à experiência de ser visto - tenha sido primeiramente introduzida por Sartre, Merleau-Ponty e Lacan são os autores que radicalizam a ideia de que o sujeito da visão é tributário do fato que ele é visível, ou seja: que antes de ser sujeito da visão, ele é objeto visível. Amparando-se na hipótese segundo a qual Merleau-Ponty e Lacan concebem o olhar de uma maneira que implica uma ruptura com a fenomenologia intencional de origem husserliana (pois se trata de um fenômeno não objetivável), nossa pesquisa buscará propor uma aproximação e um diálogo inéditos entre as obras dos dois autores e, em última instância, entre a fenomenologia e a psicanálise. (AU) | |
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