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Da reestruturação produtiva à reestruturação urbana: um olhar para a metrópole paulista a partir das grandes empreiteiras nacionais

Processo: 19/08842-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2019
Vigência (Término): 31 de agosto de 2021
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Planejamento Urbano e Regional
Pesquisador responsável:Maria Beatriz Cruz Rufino
Beneficiário:Ana Lígia de Carvalho Magalhães
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Produção do espaço   Reestruturação urbana   Reestruturação produtiva

Resumo

A década de 1970 marca o início do processo de reestruturação produtiva nos países centrais do capitalismo, culminando na inflexão do sistema fordista-keynesiano para o que Harvey chama de "regime de acumulação flexível" e resultando importantes reajustes sociais e políticos no mundo ocidental. No Brasil, esse processo começa a se desenvolver no final dos anos 1970, com a crise do modelo de desenvolvimento baseado na substituição de importações, e se intensifica nos anos 1990 após a redemocratização, com abertura econômica para mercados internacionais. O sistema financeiro global se reorganiza, emergindo a "mundialização financeira", com o domínio do capital financeiro, da lógica da valorização financeira do capital e a presença central do capital fictício no regime de acumulação.Para além das transformações dentro das unidades de produção, a reestruturação produtiva tem como consequências transformações territoriais, que se configuraram como um processo mais amplo de reestruturação urbana. Há, neste sentido, um avanço da fronteira de acumulação do capital em direção ao espaço urbano, num movimento de inflexão de um espaço de produção (industrial) para a produção do espaço. Desconcentração industrial, aproximação do capital financeiro ao imobiliário, reestruturação imobiliária e transformações nas políticas de planejamento urbano são algumas mudanças importantes a serem observadas. As grandes empreiteiras nacionais passam por importantes mudanças em paralelo a estas transformações, atuando como importante agente a promovê-las, após já estarem consolidadas como um setor de destaque na configuração do grande capital brasileiro no final da década de 1970. Já na década de 1990, importantes processos de centralização de capital, diversificação de atividades, especialização e internacionalização puderam ser observados, transformando as grandes empreiteiras em grandes conglomerados com atuação em diversos setores da economia. Estas empresas estão envolvidas com a produção do espaço tanto no que diz respeito às grandes infraestruturas produzidas quanto à produção imobiliária, portanto.O objetivo geral deste projeto de pesquisa é compreender a atuação das maiores empreiteiras nacionais nas transformações na produção do espaço, observadas a partir de uma reestruturação produtiva e urbana, vislumbrando o papel destas empresas enquanto agentes de estruturação socioespacial, econômica e política nacional. Como território privilegiado de análise das novas lógicas de produção urbana, a Região Metropolitana de São Paulo recorta no espaço a nossa pesquisa, tendo como enfoque temporal os processos que se iniciam no final da década de 1970 e se intensificam nos anos 1990 e 2000. Tomaremos como metodologia a análise da atuação do agente "empreiteira" a partir do estudo de caso da "Empresa Estudada" (EE) nas transformações na produção do espaço da metrópole de São Paulo diante dos processos de reestruturação, tendo como suporte discussões teóricas sobre produção do espaço, processos de reestruturação produtiva e urbana e transformações no padrão de acumulação capitalista em direção à produção do espaço.