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Reminiscências do gótico no regionalismo de o tronco do ipê, de José de Alencar

Processo: 20/00263-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de junho de 2020
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literatura Brasileira
Pesquisador responsável:Fabiano Rodrigo da Silva Santos
Beneficiário:Ana Eliza de Melo Garcia
Instituição-sede: Faculdade de Ciências e Letras (FCL-ASSIS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Assis. Assis , SP, Brasil
Assunto(s):Literatura regionalista   Romantismo   Regionalismo   Narrativa   Gótico   Sublime   Entrevista

Resumo

A pesquisa busca promover o estudo de O Tronco do Ipê (1871), de José de Alencar, a partir da consideração de elementos da literatura gótica que se articulam à estética regionalista na obra. O romance, como o propósito de atender ao projeto nacionalista romântico, debruça-se sobre aspectos da realidade local, associando, no entanto, ao regionalismo elementos oriundos de uma tradição, que figura do romance europeu entre os séculos XVIII e XIX, particularmente sensível ao mistério, à atração pelo sublime, à evocação do sobrenatural, que assumem coerência no chamado gênero gótico. Tais elementos se insinua em O tronco do Ipê, permitindo a consideração das particularidades do romance, a partir da correlação entre certos lugares-comuns das narrativas góticas e a plasmação da cor-local, que conferem ao enredo à atmosfera da obra, um elemento exótico e imaginativo que envolve matéria vinculada estreitamente à cultura campesina brasileira. Em O tronco do ipê, as superstições, o apelo da paisagem agreste e o mistério emanado das regiões remotas do interior são representados, por um lado, como registro da vida regional brasileira e, por outro, a partir de eventos que abrem a imaginação às instâncias do fantástico, do assombro diante da natureza sublime e do mistério. O elemento gótico pode ser entrevisto em certos lugares-comuns apresentados por O tronco do ipê, que serão objeto de nossas considerações, em particular a presença fantasmagórica do passado e o locus horribilis, vetor do assombro sublime. Esses lugares-comuns se relacionam dialeticamente com outras características reincidentes na literatura regionalista, tais como o desenvolvimento do tipo nacional, o maravilhoso popular e a natureza agreste idealizada muitas vezes como espaço do locus amoenus. Pretende-se estudar, portanto, o modo, como esses dois eixos de motivos, a saber góticos e regionalistas, dialogam para a composição da singularidade da obra, inscrita entre o registro das tradições locais e os influxos herdados da ficção imaginativa europeia. (AU)