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Uma trajetória submersa: a "hipótese Nietzsche" de Michel Foucault em seus cursos no Collège de France entre 1970 e 1976

Processo: 19/22639-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de junho de 2020
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Monica Loyola Stival
Beneficiário:Rafael Gironi Dias
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Filosofia contemporânea   Genealogia   Michel Foucault   Friedrich Nietzsche

Resumo

A partir da análise de As aulas sobre a vontade de saber, primeiro curso ministrado por Michel Foucault no Collège de France em 1970-1971, verificamos como a "hipótese Nietzsche" se construiu de início nas pesquisas do filósofo. Por "hipótese Nietzsche" entendemos a análise da história desimplicada de certos pressupostos da origem, como a relação da verdade com o sujeito de conhecimento, que conduz a vontade de saber para uma vontade de verdade. A partir dessa desimplicação, a noção de acontecimento, cara à história, pode fazer valer a materialidade dos discursos, direção proposta por Foucault em A ordem do discurso, aula inaugural naquela instituição. A materialidade do discurso, como aparece ao longo das aulas, é a multiplicidade de relações com as quais um discurso dito verdadeiro abandona seu estado de pureza, possibilitando que as lutas reais que compõem as práticas discursivas possam aparecer: a dimensão da dominação, das lutas, da violência. Dessa forma, a "hipótese Nietzsche" faz uma genealogia da história, na qual a vontade de saber se faz por meio da vontade de poder. Em 1976, no curso Em defesa da sociedade, Foucault anuncia a vontade de abandonar a "hipótese Nietzsche" como chave analítica para as relações de poder, ao passo que faz, ao longo do curso, uma genealogia da história a partir do operador da "guerra". Assim, neste projeto propomos analisar os cursos de Foucault no Collège de France entre 1971 e 1976, a fim de compreender de que maneira a "hipótese Nietzsche" foi conduzida pelo filósofo até seu abandono, ao que tudo indica, como uma trajetória submersa e como uma crítica a Nietzsche. (AU)