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Avaliação sanitária de águas residuárias provenientes de lagoas de estabilização para irrigação de culturas agrícolas no estado de São Paulo

Texto completo
Autor(es):
Maria Tereza Pepe Razzolini
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Saúde Pública (FSP/CIR)
Data de defesa:
Membros da banca:
Wanda Maria Risso Günther; Glavur Rogerio Matte; José Luiz Negrão Mucci; Petra Sanchez Sanchez; Maria Inês Zanoli Sato
Orientador: Wanda Maria Risso Günther
Resumo

Em decorrência da escassez de água e para melhor aproveitamento de recursos hídricos considera-se o reúso de águas residuárias como alternativa de oferta desses recursos na irrigação de culturas agrícolas e outras atividades. No entanto, o reúso de águas requer cuidados específicos pois muitos agentes de doenças são veiculados pela água. No caso da irrigação agrícola o controle da qualidade microbiológica e parasitológica de águas de reúso é de fundamental importância para assegurar níveis de qualidade satisfatórios, minimizando assim riscos à saúde pública. Objetivo. Estudar a viabilidade da utilização dos esgotos sanitários tratados pelo sistema de lagoas de estabilização do município de Lins (SP) na irrigação de áreas agrícolas, sob o ponto de vista sanitário. A avaliação da qualidade microbiológica e parasitológica dos esgotos tratados foi segundo as recomendações da OMS (1989) para águas de reúso na agricultura; a verificação da presença de cepas de E. coli potencialmente patogênicas, mediante sorologia e ensaios de amplificação em cadeia pela polimerase (PCR); pesquisar a presença de Salmonella; investigar a presença e viabilidade de ovos de helmintos; quantificação de colifagos e avaliação da eficiência da desinfecção dos esgotos com hipoclorito de sódio e ozônio. Métodos. A determinação de coliformes totais e E. coli efetuou-se mediante uso do kit Colilert (Iddex) e a pesquisa de cepas de E. coli potencialmente patogênicas por meio de teste sorológico e PCR. O isolamento de Salmonella, quantificação de colifagos e determinação de ovos de helmintos foi efetuado segundo Normas Cetesb e Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (20th ed. 2000) e a viabilidade dos ovos de helmintos de acordo com Yanko (1988). Resultados. A concentração de E.coli nas amostras de esgoto sanitário tratado revelou densidade acima dos níveis recomendados pela OMS para irrigação irrestrita e restrita. Foram detectados ovos de Ascaris e Salmonella. A densidade de colifagos situou-se entre 6,0x102 a 8,5x104 UFP/100ml não sendo considerada elevada nas amostras analisadas. Nas amostras de esgoto tratado submetidas à desinfecção com hipoclorito de sódio observou-se variação na densidade de coliformes totais e E coli, dependendo da dosagem e tempo de contato aplicados. Os melhores níveis de remoção dessas bactérias ocorreu na faixa de 8,6 a 15 mg/L de hipoclorito de sódio e tempo de contato de 30 minutos. Quando da aplicação de ozônio não se verificou eficiência satisfatória na remoção de coliformes totais e E coli. Em relação à eliminação de ovos de helmintos não se observou eliminação após a aplicação de ambos os agentes desinfectantes. A remoção de colifagos após desinfecção com hipoclorito de sódio foi de O a 2 logs dependendo da dose e tempos de contato aplicados e após desinfecção com ozônio a remoção desses organismos ficou entre O e 1 log. Conclusão. Os esgotos sanitários tratados não apresentaram qualidade microbiológica e parasitológica satisfatória para irrigação irrestrita (categoria A) e restrita (categoria B) conforme valores-guia da OMS. Nas condições da pesquisa realizada, os desinfectantes utilizados não resultaram em remoção efetiva de microrganismos indicadores, não atendendo às recomendações da OMS. Detectou-se Samonella nas amostras de esgoto tratado analisadas e densidade de colifagos em níveis compatíveis com os registros da literatura, 10 3 a 10 4 UFP/1 OOmL. Não se observou a ocorrência de E coli O157 nas amostras de esgotos tratados analisadas. Portanto, conclui-se que os esgotos tratados procedentes da Estação de Tratamento de Esgotos utilizado na cidade de Lins (SP) não devem ser utilizados na irrigação de cultivos enquadrados na categoria A (irrigação irrestrita) e categoria B (irrigação restrita) estabelecidas pela OMS (1989) como medida de proteção à saúde de grupos expostos a essas águas. (AU)