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Resistência ao metotrexato está diretamente associada à concentração de glutationa em linhagens de leucemia linfoide aguda

Texto completo
Autor(es):
Rafael Renatino Canevarolo
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Orientador: José Andrés Yunes
Resumo

A leucemia linfoide aguda (LLA) é o tipo de câncer mais comum da infância, correspondendo a 25% de todos os casos de câncer nesta faixa etária. Um dos quimioterápicos utilizados na terapia da LLA (e de doenças autoimunes como a artrite reumatoide) é o metotrexato (MTX), um antagonista do ácido fólico (antifolato). O mecanismo de ação do MTX enquanto quimioterápico é primariamente atribuído à inibição da enzima dihidrofato redutase, que sintetiza tetrahidrofolato a partir de dihidrofolato ¿ etapa fundamental na síntese de novo de nucleotídeos purínicos utilizados na divisão celular. Em artrite reumatoide, doses menores de MTX inibem a enzima 5-aminoimidazole-4-ribonucleotídeo-carboxamida formiltransferase (ATIC), o que culmina com a produção de altos níveis de adenosina, um potente anti-inflamatório. No entanto, diversos trabalhos recentes continuam a apresentar mecanismos e efeitos até então desconhecidos por meio dos quais o MTX atua no ambiente celular, atestando que os mecanismos de ação do MTX parecem ser tão múltiplos quanto complexos. Utilizando diversas técnicas de biologia molecular, este trabalho procurou expandir o conhecimento existente da ação do MTX em LLA. Para isso, diversos parâmetros biológicos foram mensurados sob efeito ou não do MTX em um painel de 13 linhagens celulares de LLA. Foram realizados ensaios de proliferação, estudos metabolômicos, de sinergismo com drogas, quantificação da respiração celular e da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), além da medição da ativação da via de sinalização do NF-?B. A resistência das linhagens ao MTX em 48 h de tratamento (mas não em 96 h) mostrou-se relacionada ao tempo de duplicação celular. O tratamento com MTX alterou a concentração de 28 metabólitos intracelulares, com destaque para o consistente aumento da glicina. As concentrações intracelulares de asparagina, guanosina e glutationa ¿ inclusive a expressão de genes da via desta última ¿ se mostraram associadas com a resistência ao MTX. A suplementação do meio de cultura com N-acetilcisteína, um metabólito precursor de glutationa, promoveu proliferação e resistência ao MTX; entretanto, o tratamento das células com piperlongumina ou peróxido de hidrogênio, dois sequestradores de glutationa e promotores de ROS, não potencializou o efeito do MTX. O MTX induziu pequenas quantidades de ROS nas linhagens de LLA. Após 1 h com a droga, as células mais sensíveis ao antifolato produziram mais ROS que as mais resistentes; em 3 h essa dinâmica se inverteu e assim permaneceu até as 6 h. O consumo de oxigênio das linhagens não se mostrou associado com a resistência ao MTX e um teste preliminar mostrou que o MTX não alterou a respiração celular. O MTX ativou o fator de transcrição NF-?B em algumas linhagens de LLA e, curiosamente, a ativação deste fator de transcrição pelo fator de necrose tumoral alfa (TNF-?) mostrou-se positivamente correlacionada com a resistência das linhagens leucêmicas ao MTX. Uma vasta revisão bibliográfica permitiu tanto a integração dos resultados obtidos ao conhecimento mais atual sobre o assunto, quanto o apontamento de novos caminhos a serem explorados em etapas futuras (AU)

Processo FAPESP: 12/11952-0 - Resistência ao metotrexato está diretamente associada à concentração de glutationa em linhagens de leucemia linfóide aguda
Beneficiário:Rafael Renatino Canevarolo
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado