Busca avançada
Ano de início
Entree


Infecção por agentes das leishmanioses, doença de Chagas e febre maculosa brasileira em mamíferos silvestres de vida livre em área de proteção ambiental do município de Campinas, São Paulo = Infection by agents of leishmaniasis, Chagas disease and Brazilian spotted fever in free-ranging wild mammals from an environmentally protected area of the municipality of Campinas, São Paulo

Texto completo
Autor(es):
Paiz, Laís Moraes
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas
Data de defesa:
Orientador: Maria Rita Donalisio Cordeiro
Resumo

Nas últimas décadas, tornou-se crescente a discussão sobre a participação da fauna silvestre na epidemiologia das zoonoses, especialmente devido à emergência e reemergência de enfermidades infecciosas e parasitárias, a modificações ambientais crescentes e à consolidação da abordagem "Saúde Única". A área de proteção ambiental (APA) do município de Campinas, estado de São Paulo, sofreu intensas modificações a partir da década de 1960, decorrentes, em sua maioria, de expansão urbana. Neste ambiente degradado, a fauna silvestre passou a coabitar com o homem e animais domésticos, o que pode estar relacionado à ocorrência de zoonoses na APA, como a leishmaniose tegumentar, leishmaniose visceral (LV) e febre maculosa brasileira (FMB). Assim, este estudo objetivou investigar a circulação de agentes dessas três infecções zoonóticas, além do agente da doença de Chagas (Trypanosoma cruzi), entre animais da fauna silvestre da APA de Campinas. Para isso, foram empregadas técnicas sorológicas e moleculares em amostras biológicas colhidas de 82 mamíferos silvestres capturados em 18 áreas da APA entre abril de 2014 e março de 2015. A detecção de anticorpos para Rickettsia rickettsii, principal agente da FMB, foi realizada por meio da reação de imunofluorescência indireta em amostras de soro de 54 gambás (Didelphis spp.), considerados hospedeiros amplificadores das riquétsias. Um D. albiventris (gambá-de-orelha-branca) apresentou título de anticorpos de 128. Adicionalmente, o DNA de riquétsias foi pesquisado em amostras sanguíneas de todos os mamíferos capturados. Não houve detecção molecular, resultado esperado, considerando-se a localização das riquétsias em células endoteliais e o período de riquetsemia, em geral, curto. Por outro lado, verificou-se a circulação de tripanossomatídeos patogênicos entre os mamíferos amostrados. Dez animais apresentaram anticorpos anti-Leishmania e cinco exibiram o DNA do parasita em amostras de sangue e/ou pele. O sequenciamento genético permitiu identificar a infecção pelo agente da LV, Leishmania (L.) infantum, em quatro animais (um sagui e três gambás). Um D. albiventris apresentou infecção por Leishmania subgênero Viannia, não sendo possível determinar a espécie do parasita pela análise de dissociação de alta resolução e análise do polimorfismo no comprimento de fragmentos de restrição. O DNA de T. cruzi foi detectado em amostras sanguíneas de três D. albiventris e um deles exibiu o parasita em amostras colhidas em duas capturas, num intervalo de três meses. Todos os animais infectados pelos agentes das leishmanioses e da doença de Chagas estavam nas proximidades de residências no momento da captura, particularmente em dois condomínios onde há transmissão de LV entre cães. Os resultados reiteram a preocupação crescente com relação à interface fauna silvestre-homem-animais domésticos em habitats fragmentados. Atividades de vigilância são necessárias para esclarecer outros fatores relativos ao ciclo de transmissão de T. cruzi na região da APA, como a fauna de triatomíneos e a infecção em cães, considerados sentinelas ao risco de infecção humana. No que se refere à LV, o programa de controle brasileiro deve considerar as particularidades de cada área de transmissão. Medidas como a eliminação do reservatório canino podem ser ineficazes em áreas como a APA, onde o parasita circula entre animais da fauna silvestre (AU)

Processo FAPESP: 14/27212-0 - Infecção por Leishmania infantum (sinônimo: Leishmania chagasi) em mamíferos silvestres de vida livre em região de área de proteção ambiental (APA), no município de Campinas, São Paulo
Beneficiário:Maria Rita Donalisio Cordeiro
Linha de fomento: Auxílio à Pesquisa - Regular