Texto completo
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| Autor(es): |
Marina Ghirotto Santos
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Tese de Doutorado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD) |
| Data de defesa: | 2023-05-04 |
| Membros da banca: |
Renato Sztutman;
Ivette Rossana Vallejo Real;
Jean François Germain Tible
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| Orientador: | Renato Sztutman; Salvador Andres Schavelzon |
| Resumo | |
Esta pesquisa é uma reflexão com o Povo Originário Kichwa de Sarayaku, Amazônia equatoriana, sobre seus modos de conceber e praticar aquilo que chamamos de \"política\". Dentre as várias traduções na língua kichwa/runa shimi, partimos daquela que aponta para a política enquanto um ato de contar histórias e, mais especificamente, de conversar (kwintana), perseguindo seus efeitos. Entendendo o trabalho etnográfico também como um tipo de conversa, a tese está organizada ao redor de cinco substâncias que permearam, justamente, a maioria de nossas conversas: sangue, petróleo, terra, cerveja de mandioca e dilúvio. Estas substâncias têm o poder de falar algo sobre as teorias e os modos de existência Runa; suas formas de resistências, especialmente anti-extrativistas; e as maneiras pelas quais este povo segue cultivando a autonomia enquanto defende o território, aqui chamado de Floresta ou Selva Vivente (Kawsak Sacha). Seguindo-as, observamos que a ação política Runa - melhor entendida em termos de cosmopolítica - escapa quaisquer estabilizações: com, contra e além do Estado, articula sujeitos, tempos-espaços, instâncias de poder, festas, existências vegetais, substâncias e relações que não encontram espaço nas práticas modernas de política, tampouco nas grandes narrativas da história que as sustentam. Neste caminho, dedicamos especial atenção às conversas com mulheres Runa e suas formas de habitar \"a política\". Voltamo-nos continuamente aos mundos dos roçados (chakra), da cerveja de mandioca (lumu aswa) e do cuidar (kuyrana), enfatizando seus entrelaçamentos com as atuações das mulheres em organizações e coletivos indígenas, sejam eles mistos ou apenas de mulheres. Sugerimos que o gênero é um idioma importante das conversas que instituem mundos, sustentam a multiplicidade da floresta e resistem à sua destruição. Enquanto suas práticas buscam cultivar melhores modos de existência na Terra e com a Terra, se aproximam e se afastam de diferentes feminismos, abrindo espaços para mais uma história a respeito da ação política das mulheres. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 17/17805-2 - A cosmopolítica da Selva Vivente: uma aproximação à proposta de Sarayaku |
| Beneficiário: | Marina Ghirotto Santos |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |