Texto completo
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| Autor(es): |
Anita Fattori
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Tese de Doutorado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD) |
| Data de defesa: | 2025-02-21 |
| Membros da banca: |
Marcelo Aparecido Rede;
Cécile Michel;
Katia Maria Paim Pozzer;
Louise Quillien;
Josué Javier Justel Vicente
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| Orientador: | Marcelo Aparecido Rede |
| Resumo | |
No início do II milênio AEC, durante o chamado período paleoassírio (2025-1809 AEC), a cidade de Aššur coloca-se em evidência no cenário do Antigo Oriente Próximo pela sua participação central em uma importante rede comercial de longa distância entre a Mesopotâmia e a Anatólia. Famílias mercadoras assírias, organizadas em associações familiares, se aventuraram nas longínquas terras anatólias para comercializar estanho e tecido em troca de ouro e prata. Muitas famílias se instalaram por logos períodos em Kaneš (atual Kültepe, Turquia). Paralelamente ao transporte de uma quantidade considerável de mercadorias, tabletes cuneiformes era intercambiados, permitindo a circulação de informações entre os membros das famílias, parceiros comerciais em Aššur ou Kaneš, ou ainda aqueles que estavam em movimento nessa rota. Os mais de 22 500 mil tabletes cuneiformes conhecidos do período testemunham as práticas comerciais, mas também a própria organização do parentesco, de famílias dispersas nessa longa distância geográfica. A presente tese se concentra no estudo das mulheres de quadro famílias mercadoras assírias que atuaram nessas redes de comércio, a saber: (1) Tarām-Kūbi, Šīmat-Aššur, Ištar-bāšti, Zizizi, Ištar-lamassī e Šuppianika (famílias de Imdī-ilum e Innaya); (2) Lamassutum, Ištar-lamassī, Ummī-Išhara, Šimat-Ištar e Šalimma (família de Elamma); (3) Aḫaḫa, Bēlātum, Kunnanīya, Lamassī, Šāt-Aur, Waqqurtum e Tarīš-mātum (família de Pūšu-kēn). O objetivo principal dessa pesquisa é de compreender como as mulheres teceram ativamente a trama social em que estavam inseridas. Dois elementos principais permitem mostrar as estratégias de inserção das mulheres assírias nas redes de comércio: (a) o pertencimento à uma família mercadora e a forma pela qual esse fator aumentava a possibilidade de mobilidade feminina; e (b) a maneira pela qual a linguagem era mobilizada em suas cartas para negociar os seus espaços de atuação. Se, por um lado, a família era a base para a socialização e a aprendizagem das práticas comerciais, por outro, era por meio dela que os seus membros poderiam acessar os meios necessários para circular e se conectar às diferentes redes de sociabilidade. Desse modo, no presente trabalho, as associações familiares mercadoras são consideradas como Comunidades de Prática (CoP). As mulheres, como membros reconhecidos dessas comunidades, participavam ativamente das redes de comércio e poderiam alcançar grande mobilidade. Além da análise de toda documentação que, de alguma forma, nos dá informação sobre a vida dessas mulheres, apresentamos, no segundo volume desta tese, a tradução inédita para o português a partir do acadiano de 101 cartas enviadas ou recebidas por elas (AU) | |
| Processo FAPESP: | 19/12945-6 - Mulheres e redes comerciais na Assíria dos séculos XX e XIX AEC |
| Beneficiário: | Anita Fattori |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |