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Anopheles oswaldoi (Diptera, Culicidae): análise do segundo espaçador interno transcrito (ITS2) do DNA ribossômico e da susceptibilidade à infecção com Plasmodium vivax.

Texto completo
Autor(es):
Mauro Toledo Marrelli
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Ciências Biomédicas
Data de defesa:
Membros da banca:
Osvaldo Marinotti; Eunice Aparecida Bianchi Galati; Hooman Momen; Wanderli Pedro Tadei; Lucile Maria Floeter Winter
Orientador: Osvaldo Marinotti; Judith Kardos Klotzel
Resumo

Resultados anteriores sugerem que existem diferenças biológicas entre espécimens de Anopheles oswaldoi capturados no Estado do Acre e os do Estado de Rondônia, Brasil. Esta espécie tem sido apontada como um importante vetor de malária em localidades do Peru e Acre. Entretanto, em Rondônia, somente um número pequeno de A. oswaldoi alimentados em pacientes com malária desenvolveram infecção nas glândulas salivares. Além disso, há suspeita de que espécimens identificados como A. oswaldoi, capturados em áreas abertas em Costa Marques, Rondônia, são na verdade A. konderi, e que A. oswaldoi sensu stricto estaria restrito a áreas de florestas. Estes dados, juntamente com as dificuldades encontradas na identificação de anofelinos do grupo Oswaldoi, baseadas em critérios morfológicos, sugerem que espécimens de A. oswaldoi são membros de um complexo de espécies crípticas. A distinção de espécies crípticas de insetos vetores é de grande importância, já que diferentes membros em um complexo podem exibir diferenças na ecologia, capacidade vetorial e resposta a medidas de controle. Análise de sequências de DNA, particularmente da região do ITS2 do cistron do DNA ribossômico, tem sido usada como um caracter diagnóstico em alguns grupos de espécies crípticas, tornando-se um instrumento para estudos taxonômicos e filogenéticos. A primeira parte deste estudo teve o objetivo de determinar as diferenças encontradas nas sequências de ITS2 de espécimens de A. oswaldoi capturados em várias localidades da América do Sul. As regiões dos ITS2 destes anofelinos foram amplificadas usando oligonucleotídeos iniciadores conservados das regiões 5.8S e 28S e os produtos de PCR foram clonados e sequenciados. Os ITS2 de todos os mosquitos capturados tiveram tamanho aproximado de 350 nucleotídeos, com aproximadamente 53% de conteúdo de GC. Análise do alinhamento destas sequências, mostrou similaridade variando entre 87% e 100%, e a análise de uma árvore de similaridade, neighbor-joining, produzida com p-distance usando as diferenças nas sequências de ITS2, separou estes espécimens em quatro grupos. Um deles está provavelmente relacionado ao A. oswaldoi sensu stricto, e um outro pode estar relacionado à espécie A. konderi. Os outros dois grupos podem corresponder a espécies cuja identificação morfológica permanece para ser esclarecida no complexo A. oswaldoi. Estes dados são evidências de que espécimens de A. oswaldoi estão incluídos em um complexo de espécies crípticas e que identificação por DNA pode resolver estas questões taxonômicas. A. konderi tem sido considerado uma sinonímia de A. oswaldoi. Embora estágios adultos e imaturos destas espécies de anofelinos apresentem características morfológicas idênticas, aspectos encontrados na genitália masculina podem distinguir estes taxa. A segunda parte deste estudo foi conduzida com o objetivo de comparar a susceptibilidade de A. oswaldoi s.s. e de A. konderi à infecção com Plasmodium vivax. A susceptibilidade foi baseada na proporção de mosquitos com oocistos e esporozoítos. Os anofelinos foram capturados no Acre e em Rondônia para obtenção de progênies F1. Após a emergência dos adultos, as genitálias masculinas dos mosquitos de cada progênie foram dissecadas e examinadas. Todas progênies originadas dos mosquitos capturados em Rondônia corresponderam a A. konderi, enquanto que cerca de 85,0% das progênies do Acre eram A. oswaldoi s.s.. Estas progênies F1 de A. oswaldoi s.s., A. konderi e A. darlingi foram alimentadas simultaneamente com sangue infectado com P. vivax. Estes mosquitos foram dissecados 10-12 dias após infecção e examinados para verificação da presença de oocistos e esporozoítos. Tanto A. oswaldoi s.s. como A. konderi apresentaram oocistos nos tratos digestivos, entretanto, a porcentagem de tratos digestivos positivos para oocistos foi maior em A. oswaldoi s.s. (13,8%) do que em A. konderi (3,3%). Esporozoítos foram encontrados somente nas glândulas salivares de A. oswaldoi s.s., com 6,9% de positividade. As taxas de infecção nos controles A. darlingi foram de 22,5% a 30,0%, para ambos oocistos e esporozoítos. Estes resultados indicam que A. oswaldoi s.s. pode transmitir P. vivax e sugerem que esta espécie é mais susceptível que A. konderi. Embora A. oswaldoi s.s. seja uma espécie exofílica e zoofílica, este anofelino pode estar envolvido na transmissão da malária humana como parece estar ocorrendo no Estado do Acre. (AU)

Processo FAPESP: 98/02703-7 - Malaria: competencia do anopheles oswaldoi. variacoes regionais e relacao com dna ribossomico.
Beneficiário:Mauro Toledo Marrelli
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado