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Incorporação de chumbo pós-eruptiva em esmalte de dentes decíduos e correlação com saliva e plasma - Estudo longitudinal

Texto completo
Autor(es):
Soraya Cheier Dib Gonçalves
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto
Data de defesa:
Membros da banca:
Raquel Fernanda Gerlach; Eduardo Mello de Capitani; Elimar Adriana de Oliveira Feliciano; Alexandra Mussolino de Queiroz; Márcia Andreia Mesquita Silva da Veiga
Orientador: Raquel Fernanda Gerlach
Resumo

A exposição ambiental ao chumbo é uma das questões mais sérias de contaminação de populações do ponto de vista de saúde pública. Mesmo em pequenas quantidades, o chumbo causa mudanças bioquímicas e neurológicas, convulsões e hiperatividade. No Brasil, não existe programa nacional para detecção de crianças contaminadas por este metal, as quais são mais sensíveis aos efeitos deletérios resultantes da exposição crônica a baixas concentrações de chumbo. A maioria dos trabalhos que comprovaram a associação entre exposição ambiental a chumbo no passado e problemas no desenvolvimento neurológico utilizou dentina de dentes decíduos como tecido marcador de exposição. Trabalhos do nosso grupo indicam que o esmalte superficial de dentes decíduos seria um bom marcador cumulativo da exposição passada ao chumbo, sendo que esse tecido apresenta consideráveis vantagens do ponto de vista de acesso e desenvolvimento de testes para monitoramento ambiental. Uma questão importante é verificar se as concentrações de chumbo encontradas no esmalte superficial decíduo variam ao longo do tempo em crianças de baixa exposição. Outra questão importante é verificar se há correlações entre as concentrações de chumbo no esmalte superficial e aquelas dos principais fluidos corporais a partir dos quais o chumbo seria acumulado no esmalte, que são sangue total, plasma e saliva. Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar in vivo, por meio de testes em esmalte em dentes decíduos, se o chumbo acumulado nos primeiros micrometros do esmalte aumenta ao longo de três anos e se as concentrações de chumbo encontradas no esmalte apresentam correlação com aquelas encontradas no sangue total, plasma e saliva. A amostra inicial foi constituída por 50 crianças com idade de 2 a 3 anos procedentes de Ribeirão Preto que estavam recebendo atendimento odontológico na Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto USP e alunos da Creche Carochinha (USPRibeirão Preto). Obtiveram-se as seguintes amostras: primeira etapa (2009): 01 amostra de sangue total e 01 amostra de esmalte de um incisivo central superior; segunda etapa (2010): 01 amostra de sangue total, 01 amostra de plasma sanguíneo, 01 amostra de saliva e 01 amostra de esmalte do dente contralateral. terceira etapa (2011): 01 amostra de sangue total, 01 amostra de plasma sanguíneo, 01 amostra de saliva e 02 amostras de amostra de esmalte dos incisivos laterais. O fósforo foi determinado colorimetricamente, para calcular a profundidade dos testes de esmalte. As concentrações de chumbo no plasma, saliva e esmalte dental foram determinadas por espectrometria de massas com plasma indutivamente acoplado (ICPMS) e no sangue total, por espectrometria de absorção atômica com forno de grafite. Muitas crianças ou seus responsáveis não permitiram a coleta de sangue em algum dos períodos, e assim ao longo dos 3 anos tivemos participação efetiva de 20 crianças. Em 2009, a concentração de chumbo no sangue total variou de 0,2 μg/dL a 7,48 μg/dL e teve como a mediana 0,26 μg/dL. Apenas uma criança apresentou nível de chumbo no sangue 5 μg/dL. Em 2010, a concentração de chumbo no sangue total variou de 0.2 μg/dL a 3,8 μg/dL e teve como a mediana 0,32 μg/dL. Em 2011, a concentração de chumbo no sangue variou de 1,15 μg/dL a 3,55 μg/dL e teve como mediana 0,95 μg/dL. Os dados de chumbo no sangue não apresentam diferenças estatisticamente significantes entre os grupos ao longo dos anos (p>0.05). Em 2010, valores de chumbo no plasma variaram de 0,29 3,20 μg/L e a mediana foi 0,49. Em 2011, variaram de 0,38 1,60 μg/L com mediana 0,52 μg/L. A concentração de chumbo na saliva em 2010 variou de 0,02 3,00 μg/L, com mediana de 0,34 μg/L. Em 2011, esses valores variaram de 0,02 4,27 μg/L e a mediana foi de 0,19 μg/L. Para as concentrações de chumbo no plasma e na saliva, não houve diferenças estatisticamente significantes entre os grupos (Saliva 2010 x Saliva 2011; Plasma 2010 x Plasma 2011) (teste de Mann Whitney; p>0.05). No caso dos dados obtidos no esmalte dentário, os valores de chumbo foram recalculados para uma mesma profundidade, que foi de 3,4 μm. Nenhum dos grupos (Esmalte 2009, Esmalte 2010 e Esmalte 2011) teve distribuição normal, e não houve diferença entre nas concentrações de chumbo encontradas ao longo dos anos, com medianas de 36, 35 e 38 μg/g em 2009, 2010 e 2011, respectivamente (p=0,71, teste de Kruskal-Wallis). A análise de correlação foi feita após a transformação logarítmica (log10) de todos os valores. Mesmo após esta transformação, dois grupos ainda não apresentaram distribuição normal, o grupo Plasma 2011 e Esmalte 2010. As associações que envolviam estes grupos foram testadas utilizando-se a correlação de Spearman, enquanto todas as demais associações foram testadas utilizando-se o teste de correlação de Pearson. As correlações significativas positivas encontradas foram: entre Sangue Total 2009 e Sangue Total 2010 (rP = 0,64; p = 0,002) ; Sangue Total 2010 e Sangue Total 2011 (rP = 0,66; p = 0,002); Esmalte 2011 e Sangue Total 2009 (rP= 0,44; p=0,05) e entre Esmalte 2009 e Esmalte 2010 (rS = 0,45 e p=0,03). Houve uma associação inversa entre a Saliva 2010 e Esmalte 2011 (rP = - 0,55; p=0,013). Conclusão: Os valores de chumbo obtidos em todas as amostras ao longo de 3 anos caracterizam baixa exposição a chumbo no grupo estudado. As concentrações de chumbo no sangue, saliva, plasma e esmalte não variaram ao longo do tempo. Das 28 associações testadas, foram estatisticamente significantes e positivas aquelas entre o Sangue Total 2009 e o Esmalte 2011 e entre o Esmalte 2009 e Esmalte 2010. A associação entre Saliva 2010 e Esmalte 2011 foi inversa. Os resultados sugerem que o esmalte tenha associação com a exposição de chumbo passada, neste estudo caracterizado pelos valores de chumbo no sangue total. Os resultados sugerem que o esmalte possa ser um biomarcador fidedigno para avaliar o grau de exposição a chumbo em populações com baixa exposição a este metal, uma vez que o esmalte superficial de dentes decíduos não incorporou chumbo em quantidades significativas entre 2 e 5 anos de idade em crianças com baixa exposição e baixa atividade de cárie. (AU)

Processo FAPESP: 08/53098-0 - Estudo sobre a incorporação de chumbo pos-eruptiva no esmalte de dentes decíduos e correlação com chumbo na saliva e no plasma - um estudo longitudinal
Beneficiário:Soraya Cheier Dib Gonçalves
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado