Resumo
O projeto temático proposto "A América do Sul no contexto dos supercontinentes - fusão e fissão", sem excluir as muitas atividades do Centro de Pesquisas Geocronológicas (CPGeo) da Universidade de São Paulo, visa abrigar de forma coerente e mais proveitosa muitos ramos destas atividades, abrigando demandas presentes e futuras das geociências. Este projeto de pesquisas tenta cobrir a assembléia de temas que contempla os interesses e vocação dos pesquisadores do CPGeo-USP, abordando vários objetivos recentes e programados para o futuro imediato desse grupo de pesquisas, além de procurar os subsídios financeiros básicos para manter a qualidade da rotina laboratorial do CPGeo no período de duração do projeto. A evolução da litosfera continental é o ponto central deste temático. Esta, tem crescido de um zero (absoluto ?) há 4,5 Ga para os atuais estimados 150. 10 6 km2. E a forma como isto tem sido processado é sabidamente não proporcional ao tempo e não consensual. Este crescimento está ligado às perdas de calor do interior da Terra e ao tempo e, conseqüentemente aos processos irreversíveis de diferenciação do globo. O estudo dos continentes atuais passa necessariamente pelo estudo dos episódios supercontinentais, fusão e fissão. Na verdade, cada continente foi gerado, ao seu tempo, por fragmentação de uma grande massa continental precursora. Não é possível partir simplesmente da última forma dos continentes, é preciso investigar mais a fundo a história precursora (proterozóica). Se o crescimento dos continentes seguiu o quadro evolutivo de Pangea, é preciso dizer que o crescimento/acresção lateral da litosfera continental foi modesto tanto no Proterozóico (ca. 20%, ~ 30.106 Km2) como no Fanerozóico (ca. I 0%, ~ 15.1 06 Km2) e, que as massas geradas no Arqueano (70% do total) foram as que mais sofreram retrabalhamento, de várias formas e intensidades. A Geologia Isotópica é a ferramenta indispensável, o suporte que nenhum geocientista pode prescindir para destrinchar esta história, o complemento fundamental dos mapeamentos geológicos e estudos geotectônicos. Este temático foi arquitetado tendo estes problemas em mente e, em seus diferentes itens, procura arregimentar os dados que nos permitam crescer coletivamente no conhecimento científico. Em cada sub-projeto/item, do contexto geral, estão incluídos outros, específicos e oportunos, todos eles devidamente amarrados com o tronco central. O CPGeo - USP tem estado ao lado, das teorias tectognéticas e da evolução crustal, desde a comprovação (teoria mobilista) da correlação de Gondwana Ocidental (vide Hurley et ai 1967, em colaboração com o MIT) até o presente, configurando a disposição e processos da teoria dos supercontinentes (vide Cordani et ai 2003a), e até mais a frente, na vanguarda, com a análise crítica desta teoria (vide Cordani et aI 2003b, Kröner & Cordani 2003). Visando atingir os objetivos propostos neste projeto temático, três linhas de ação principais foram consideradas: 1) - Metodológicas: a)- isótopos de Lu e Hf em zircão aplicados a gênese de rochas; b) ¬Desenvolvimento e aplicação da metodologia U-Pb SHRIMP nos laboratórios do CPGeo e c) -isótopos de Re-Os em coberturas basálticas da Província Magmática Paraná; 2) - Constituição de Gondwana Ocidental: a) - Província Borborema vs África Norte-Ocidental, subdividido em duas partes; b)- Província Mantiqueira vs África Sul-Ocidental, subdividido em quatro partes e 3) - Acresções de terrenos exóticos à borda sudoeste de Gondwana Ocidental - Precordilheira e sua relação com Sierras Pampeanas: correlações/vínculos com Laurentia. É preciso esclarecer que na correlação Brasil-África, questão de suma importância no presente projeto, muitos problemas permanecem abertos e, poucos definitivamente fechados. Há muitos temas em suspenso, muitas questões a serem esclarecidas, e isto depende de novos trabalhos de campo e de laboratório, nos dois continentes. Igualmente importante é a relação dos terrenos antigos com os fragmentos exóticos acrescionados a borda sudoeste de Gondwana observados no NW argentino.Nesse quadro, são amplos a colaboração e o interesse internacional (Chile, Argentina, USA, Alemanha, África do Sul, Namíbia e Camarões) envolvidos neste projeto em seus diferentes itens, pelos problemas neles entranhados há dezenas de anos. Em função de sua temática multidisciplinar, participam do projeto cerca de 16 esquisadores brasileiros em sua maioria professores do IGc/USP e integrantes do CPGeo. A eles somam-se 12 pesquisadores internacionais de vários continentes que, com o aporte de seu conhecimento científico e com as facilidades laboratoriais de suas universidades completarão a equipe de pesquisa, conferindo a ela a qualidade multidisciplinar que o estudo proposto requer. Numero significativo de estudantes de pos-graduação e de iniciação cientifica completara o quadro de participantes do projeto. (AU)
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