Resumo
A COVID-19, infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2, acarretou milhões de mortes mundialmente. Em sobreviventes, sintomas cardiovasculares podem ser observados até 12 meses na fase pós-COVID. Sugere-se que as micropartículas (MP) podem contribuir para o agravamento do quadro de COVID-19 a longo prazo. As MP podem carrear moléculas com atividade biológica e assim participar da sinalização entre células e tecidos. Além do impacto direto na saúde, a pandemia da COVID-19 contribuiu para crises econômicas, as quais impactaram no fornecimento adequado de alimentos, tornando os países de baixa e média renda mais vulneráveis à desnutrição. A desnutrição afeta vários órgãos e sistemas, estando associada ao maior risco de infecções e doenças cardiovasculares. Uma vez que as MP podem mediar danos vasculares, no presente projeto levantamos a hipótese de que MP isoladas de pacientes após hospitalização por COVID-19 grave podem sinalizar dano endotelial especialmente em quadros de desnutrição. Para tal, MP foram isoladas de amostras de sangue coletadas de pacientes com COVID-19 grave 1, 4 e 24 semanas após a alta hospitalar (ensaio clínico ITHACA-PMID 33472675). O efeito endotelial da incubação com as MP (105 e 106/mL) será avaliado em situação controle ou de restrição proteica in vitro e in situ. Para tal, células endoteliais serão cultivadas in vitro em meio controle (100% aa) e com restrição de aminoácidos (25% aa), e então incubadas com as MP ou veículo para avaliar a expressão gênica e proteica de fatores pró-inflamatórios, moléculas de adesão leucocitária, componentes do sistema renina-angiotensina, produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), óxido nítrico (NO) e prostanoides. Para investigar o efeito das MP na função vasodilatadora dependente do endotélio, camundongos machos pós-desmame serão alimentados por 3 meses com dieta controle ou de restrição proteica (6% proteína) e então a aorta será isolada e incubada in situ com as MP ou veículo. Após a incubação, será avaliada a resposta vasodilatadora dependente do endotélio induzida por acetilcolina, na ausência ou presença de inibidores de fatores vasoativos liberados pelo endotélio. Por fim, as MPs isoladas nas fases pós-COVID-19 serão analisadas por proteômica comparativa. Assim, com essa abordagem metodológica, pretende-se estender o conhecimento acerca dos mecanismos moleculares associados às alterações endoteliais na fase pós-COVID-19, especialmente frente a condições de maior risco cardiovascular como a desnutrição. (AU)
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