Resumo
A aquicultura tem evoluído para sistemas de cultivo que geram menos efluente e são menos susceptíveis a patógenos. Um exemplo é a tecnologia de bioflocos em que densas comunidades microbianas, que crescem formando flocos microbianos (bioflocos), controlam a amônia gerada no cultivo. Embora os micro-organismos sejam importantes na ciclagem dos nutrientes, as atuais práticas de manejo podem criar condições ambientais instáveis e favorecer o crescimento de bactérias oportunistas patogênicas (e.g. Vibrio spp.). Essas, por sua vez, podem afetar o desempenho dos animais cultivados. Esse projeto irá avaliar como as práticas de manejo modificam a comunidade microbiana dos bioflocos, e qual o efeito sobre o desempenho dos camarões cultivados. Especificamente, serão testados os efeitos da frequência de entrada de ração, da frequência de remoção de bioflocos e de estratégias de controle da amônia nas diferentes fases do cultivo. Apoiando-se nas teorias ecológicas de sucessão, é possível criar ambientes de cultivo mais estáveis, que podem favorecer o desenvolvimento de uma comunidade microbiana mais diversa e complexa. Esse estado ecológico da comunidade minimizaria a presença de micro-organismos oportunistas e contribuiria para o melhor desempenho dos animais cultivados. Esse projeto testará abordagens de manejo apoiadas em conceitos ecológicos, estratégia pouco explorada na aquicultura. Ao mesmo tempo, será importante para fortalecer nosso grupo de pesquisa interdisciplinar em ecologia e tecnologia aplicada à aquicultura. Além da aplicação prática dos resultados no manejo dos sistemas de cultivo, estão previstas ao menos quatro publicações científicas em revistas qualis A1 nas áreas de aquicultura e biodiversidade, e um artigo em revista técnica especializada em aquicultura (AU)
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