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Astrócitos artificiais e biológicos em um modelo de estresse crônico: efeitos comportamentais, imunoistoquímicos e eletrofisiológicos

Processo: 19/26777-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de julho de 2020 - 30 de junho de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Psicologia Fisiológica
Pesquisador responsável:Milena de Barros Viana
Beneficiário:Milena de Barros Viana
Instituição-sede: Instituto de Saúde e Sociedade (ISS). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Baixada Santista. Santos , SP, Brasil
Pesq. associados: Ana Maria Ferreira de Sousa Sebastião ; Isabel Cristina Céspedes ; Sandra Cristina Henriques Vaz
Assunto(s):Neurociências  Estresse crônico  Depressão  Ansiedade  Eletrofisiologia  Astrócitos  Imuno-histoquímica 

Resumo

O conceito de estresse baseia-se na observação de que diferentes tipos de estímulos (externos ou internos) que possam ameaçar a homeostase do organismo, acarretam um conjunto de alterações fisiológicas denominado "síndrome de adaptação geral". O termo estímulo ou agente estressor corresponde aos eventos ou circunstâncias que são percebidos como aversivos pelo indivíduo, gerando a denominada resposta de estresse ou condição de estresse, envolvendo respostas viscerais, neuroendócrinas e comportamentais. Este conjunto de respostas visa a manutenção da homeostase/alostase corporal, e por si, não são alterações patológicas. Entretanto, quando a estimulação aversiva se dá por período prolongado ou excede a capacidade do organismo de manter a homeostase/alostase, o estresse pode acarretar sequelas patológicas, como por exemplo, ansiedade e depressão, que são entendidas como transtornos psiquiátricos relacionados ao estresse. Está bem estabelecido que o sistema glutamatérgico contribui para a fisiopatologia destes transtornos. Tem sido demonstrado, por exemplo, que a exposição ao estresse, um dos principais fatores precipitantes dos transtornos de ansiedade e da depressão, aumenta a liberação de glutamato, altera a função astrocitária e acarreta danos estruturais ao hipocampo ventral, uma estrutura encefálica importante para a regulação da resposta ao estresse. Nos últimos anos, a biologia sintética tem emergido como um campo terapêutico promissor. Um foco central dessa área consiste na fabricação de micro e nanoestruturas com tamanho, forma, química e atividade biológica ajustáveis, incluindo a montagem de células artificiais, organelas e enzimas, os chamados micro ou nanoreatores. Tem sido demonstrado que algumas dessas substâncias, equipadas com glutamato desidrogenase e glutationa redutase, são capazes de diminuir a excitotoxicidade, consumindo o excesso de glutamato acumulado e gerando glutationa reduzida. Neste sentido, o objetivo geral deste projeto é investigar a atividade desses micro-reatores, administrados intra-hipocampo ventral de animais submetidos ou não ao bloqueio da função astrocitária, e ao modelo do estresse crônico brando e imprevisível (ECBI). Para tanto, ratos Wistar machos serão submetidos ou não ao modelo do ECBI por 14 dias consecutivos e no 15º. dia injetados intra-hipocampo ventral com micro-reatores ou solução veículo. Um grupo de animais também será submetido ao bloqueio da função astrocitária. Cinco dias após as microinjeções, os animais serão testados nos modelos do labirinto em T elevado e campo aberto (modelos animais de ansiedade e atividade motora) e no modelo do nado forçado (modelo animal de depressão). Imediatamente após os testes comportamentais, os animais serão eutanasiados e seus encéfalos processados para a verificação imunoistoquímica de neurônios e células gliais. Um grupo adicional de animais será submetido à avaliação da atividade eletrofisiológica do hipocampo ventral, para que seja possível entender melhor como o estresse crônico e o tratamento com micro-reatores interferem com a eletrofisiologia da estrutura investigada. Finalmente, é importante esclarecer que o presente projeto tem também por objetivo dar continuidade a colaboração já iniciada a partir da realização de um estágio de pesquisa no exterior pela proponente, realizado na Universidade de Lisboa, sob a supervisão da Profa. Dra. Ana Maria Sebastião. (AU)