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Melhoramento genético de café arábica visando o desenvolvimento de cultivares clonais descafeinadas para o estado de São Paulo

Resumo

O café arábica (Coffea arabica) possui em seus grãos aproximadamente 1,2% de cafeína, alcaloide cujo efeito fisiológico mais destacado no ser humano é a ação estimulante do sistema nervoso central. Para as pessoas que gostam de café e possuem alguma intolerância à cafeína a principal opção disponível no mercado brasileiro é o café industrialmente descafeinado, obtido mediante a utilização de solventes químicos. De acordo com as normas da ANVISA um café para ser considerado descafeinado deve conter até 0,10% de cafeína em seus grãos. O melhoramento genético se constitui em uma alternativa relevante para disponibilizar um café geneticamente descafeinado. Foram realizadas no Instituto Agronômico de Campinas - IAC, em 2004, hibridações artificiais entre plantas etíopes do banco de germoplasma, com 0,10% de cafeína, e cultivares elite com teores normais desse alcaloide, que deram origem aos indivíduos da geração F1. Na geração F2, onde ocorre a segregação para os teores de cafeína, foram selecionadas plantas individuais com 0,10 a 0,30% de cafeína. Desta seleção resultou a instalação, em 2015, de um experimento denominado EPD (Experimento de Progênies Descafeinadas) contendo 35 tratamentos, sendo 31 progênies F3 e quatro controles, com quatro repetições e cinco plantas por parcela, em condição de sequeiro. Por ser uma cultura perene de ciclo longo uma nova cultivar poderá levar até 50 anos para o seu desenvolvimento, pois são necessários de cinco a seis anos por geração. No entanto, esse período pode ser reduzido em até 35 anos utilizando-se a clonagem por embriogênese somática dos indivíduos superiores em qualquer uma das gerações segregantes, obtendo-se plantas geneticamente homogêneas. Neste projeto serão selecionados para clonagem os indivíduos com teor de cafeína até 0,10% e produtividades aceitáveis comercialmente. Para tanto as análises estatísticas serão realizadas considerando os modelos lineares mistos, pelo procedimento REML/BLUP, utilizando-se os dados avaliados nos anos de 2017 e 2018 e os que serão obtidos em 2020. Aproximadamente 50% das plantas do EPD foram dosadas para o conteúdo de cafeína nos endospermas dos grãos, utilizando-se para tanto a cromatografia líquida de alta eficiência - HPLC. Além das características agronômicas e química, o projeto investigará a qualidade sensorial dos materiais descafeinados e produtivos, pois um dos parentais é etíope, cuja bebida é reconhecidamente diferenciada, o que poderá agregar maior valor econômico nesta tecnologia. Este projeto objetiva: i) selecionar e clonar, por embriogênese somática, indivíduos da geração F3 de café arábica contendo até 0,10% de cafeína nos grãos, com boas características agronômicas, tecnológicas e se possível sensoriais; ii) instalar experimentação regional para validação dos materiais clonais e posterior disponibilização aos cafeicultores paulistas de uma nova cultivar clonal de café arábica, cuja principal característica é ser descafeinada geneticamente. (AU)

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