Resumo
O vírus Zika (ZIKV) e o vírus Oropouche (OROV) são arbovirus emergentes de grande importância para a saúde pública do país e que, devido às mudanças climáticas globais, tem potencial de disseminação à novas regiões tropicais e subtropicais. Enquanto o ZIKV desencadeou uma grave epidemia em grande parte do Brasil, o OROV desencadeia surtos recorrentes e recentes nas regiões caribenhas e tropicais da América Latina. Ambos os vírus, apesar de pertencerem a famílias virais distintas, apresentam neurotropismo, causando danos neurológicos nos indivíduos infectados. O ZIKV está associado a anomalias congênitas como microcefalia, Síndrome de Guillain-Barré, mielite transversa e meningoencefalite, enquanto a infecção pelo OROV pode evoluir para encefalite ou meningite asséptica. Considerando as características únicas das células neuronais envolvidas nessas patologias, é fundamental compreender como o ciclo replicativo e a montagem/brotamento viral são regulados em neurônios e quais proteínas do hospedeiro estão envolvidas nesses processos. Nesse sentido, tanto os Ortthoflavivírus quanto os Orthobunyavirus utilizam a maquinaria ESCRT da célula hospedeira para a sua replicação e brotamento. A maquinaria ESCRT é importante na regulação das vias endocíticas e na proteostase celular participando do processamento da proteína precursora amiloide (APP) que gera peptídeos neurotóxicos, e na função do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Deste modo, iremos investigar a importância da maquinaria ESCRT na replicação e brotamento do ZIKV e OROV em neurônios, identificando quais proteínas virais são responsáveis pela sua subversão. Além disso, examinaremos as consequências da usurpação da maquinaria ESCRT por esses vírus na proteostase celular, envolvendo o tráfego e processamento do APP e EGFR. Esses resultados irão contribuir para uma compreensão mais aprofundada da dinâmica da infecção por ZIKV e OROV no sistema nervoso central. Ao identificar alvos e vias moleculares da infecção por ZIKV e OROV, nosso trabalho proporcionará insights valiosos para exploração farmacológica e potenciais intervenções terapêuticas. (AU)
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