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Do depoimento oral ao texto teatral: um estudo da transformação dos gêneros do discurso no método de criação dramática da obra de Luís Alberto de Abreu

Processo: 09/04611-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2010
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2011
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Filosofia da Linguagem
Pesquisador responsável:Valdemir Miotello
Beneficiário:Hélio Márcio Pajeú
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Ideologia   Polifonia   Dialogismo

Resumo

Este projeto tem por objetivo principal analisar como se dá a transformação dos gêneros do discurso, do texto oral (entrevistas, conversas) ao texto dramático (teatro e cinema), a partir do método de criação dramática utilizado pelo dramaturgo brasileiro Luís Alberto de Abreu. Adepto do método colaborativo de criação, sua obra torna-se fruto de uma relação dialógica, em que este é arquitetado por meio de relações e diálogos entre sujeitos, posto que, seus enunciados são assinalados por diferentes pontos de vista, e através da relação com outros discursos intertextuais (material coletado, depoentes, etc), uma vez que, neste tipo de processo, todos os sujeitos envolvidos participam ativamente da concepção da obra. Para realizar tal análise recorreu-se a conceitos advindos da Filosofia da Linguagem, preconizados pelo filósofo russo Mikhail Bakhtin, quais sejam: gêneros do discurso, enunciado, autor e herói, carnavalização, dialogismo, polifonia e cronótopo, a fim de destrinchar o percurso transformativo do discurso cotidiano em obra estética. Como objeto de análise selecionou-se a obra assinada por Abreu: Borandá: auto do migrante (2004). Ela possue características que a leva ao encontro do pensamento bakhtiniano de que o discurso nasce na vida cotidiana e que a polifonia que circunda e configura a construção deste, constrói o seu significado no interior das relações dos sujeitos, dando um sentido a complexidade do real, em que o 'outro' é indispensável na concepção do 'eu', onde o discurso dos sujeitos se constituem a medida que estes vão ao encontro do outro. Isso nos leva a pensar que Abreu, quanto enunciador, para conceber seu discurso, considera o discurso do outro, que aparece presente no seu e que intervém na sua estrutura e na formação, desta forma, identificamos um conjunto de vozes que se entrecruzam no interior da sua obra. Deste modo buscar-se-á refletir como Abreu se utiliza de discursos, aparentemente de pessoas comuns, transforma-os em heróis e os leva ao centro da narrativa, numa busca em identificar na concepção da sua obra como ocorre a mudança nos gêneros do discurso e a existência da fusão do real (vida cotidiana) com o fictício (dramático) e as mudanças que tais obras ocasionaram na vida de seus participantes, e, por conseguinte, de seu público.