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Diálogos com Oswald de Andrade: encontros Antropófagos

Processo: 19/05144-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2019
Vigência (Término): 31 de agosto de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras
Pesquisador responsável:Carlos Alberto Vogt
Beneficiário:Ana Beatriz Sampaio Soares de Azevedo
Instituição-sede: Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (NUDECRI). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Oswald de Andrade   Cultura brasileira   Antropofagia

Resumo

Este projeto dá continuidade às pesquisas já realizadas com bolsas da FAPESP desde a Iniciação Científica até o Doutorado. Após mapeamentos e seleção de documentos, pretendo avançar agora no Pós-Doutorado refletindo sobre a atualidade do conceito da Antropofagia, em meio à aproximação dos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Resultados parciais do Doutorado, defendido recentemente, encontram-se no livro Antropofagia Palimpsesto Selvagem , lançado pela editora Cosac Naify e aprovado pela FAPESP na linha de Apoio à Publicação. O projeto de Pós-Doutorado pretende desenvolver, aprimorar e publicar os resultados completos obtidos na pesquisa, a partir de uma perspectiva multidisciplinar.O tema da antropofagia percorre desde os relatos dos primeiros viajantes sobre rituais ameríndios no século XVI, passa por estudos sobre a guerra Tupinambá por Florestan Fernandes e sobre canibalismo por antropólogos como Manuela Carneiro da Cunha e Eduardo Viveiros de Castro , e se espraia pelos campos da literatura e das artes.Figura central da Semana de 22, Oswald de Andrade foi o criador do Manifesto Antropófago (1928) e da Revista de Antropofagia (1928/29), marcos da literatura e do jornalismo no período modernista. Através da visão de Oswald sobre a colonização, a antropofagia torna-se metáfora cultural da "revolução caraíba" que pretende inverter o vetor colonial. Na década de 60 do século XX, a antropofagia Oswaldiana foi retomada pela Tropicália, pelo Cinema Novo, por Hélio Oiticica, pelo Teatro Oficina, e outros, tornando-se uma das matrizes de reflexão sobre a cultura brasileira.Partindo deste percurso histórico, coloca-se a pergunta central do projeto: qual é a potência atual do conceito de Antropofagia? O trabalho será realizado em duas frentes complementares: uma, a partir de pesquisas no Acervo Oswald de Andrade no CEDAE da UNICAMP, focadas nas entrevistas e diálogos do escritor paulista com seus interlocutores entre as décadas de 1910 e 1950; outra, desenvolve-se através de entrevistas com intelectuais e artistas contemporâneos sobre antropofagia e a contribuição de Oswald, já no século XXI. Entre os resultados esperados está a organização de volumes inéditos contendo entrevistas de Oswald e suas colaborações na imprensa, e os Encontros Antropófagos, entrevistas realizadas durante o período da pesquisa, com Antonio Candido, Marília de Andrade, Zé Celso Martinez Correa e outros. Articulando literatura, artes, comunicação e divulgação cultural, este projeto resultará ainda na publicação de um ensaio em livro com colaborações de intelectuais de diversos países, a convite da Universidade de Zurique.