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Óleo essencial de Baccharis trimera (Less.) DC. : estudos de genotoxicidade, mutagenicidade e metabolismo

Texto completo
Autor(es):
Adriana Della Torre
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Instituição: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia
Data de defesa:
Orientador: Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz
Resumo

A espécie Baccharis trimera (Less.) DC., conhecida como carqueja, é característica de regiões tropicais e muito utilizada na medicina popular como anti-inflamatória, bem como para disfunções estomacais e intestinais. Considerando o potencial uso medicinal do óleo essencial de B. trimera cv. CPQBA 1 (OEBt), esta pesquisa teve por objetivo a continuação do estudo fitoquímico e da avaliação de segurança do uso de OEBt. Foram comparados dois lotes de OEs; o primeiro obtido por hidrodestilação das partes aéreas de B. trimera coletadas mensalmente (Janeiro a Dezembro de 2014) no campo experimental do CPQBA/UNICAMP (OEBt CPQBA) e o segundo adquirido comercialmente (OEBt comercial). A análise por cromatografia gasosa acoplada a detector de massas identificou, como majoritários, os compostos biciclogermacreno, E-cariofileno, germacreno D, beta-pineno, beta-mirceno e delta-cadineno no OEBt CPQBA, ao passo que acetato de carquejila e palustrol foram identificados em OEBt comercial. As amostras foram ainda comparadas quanto à capacidade antioxidante in vitro através dos métodos 2,2-diphenyl-1-picrylhydrazyl (DPPH¿), 2,2'-azino-bis (3-ethylbenzothiazoline-6-sulfonic acid) (ABTS¿+) e Oxygen Radical Absorbance Capacity (ORAC). No teste ABTS¿+, OEBt comercial foi mais ativo do que o OEBt CPQBA, enquanto no teste DPPH¿, ambas as amostras apresentaram capacidade sequestrante similar; os resultados também sugeriram a possível participação do alfa-pineno, E-cariofileno, mirceno e beta-pineno na atividade de OEBt CPQBA. No modo ORAC lipofílico, o OEBt CPQBA apresentou atividade antioxidante superior ao OEBt comercial que pode ser, em parte, atribuída ao E-cariofileno. No teste de atividade antiproliferativa, ambas as amostras OEBts apresentaram perfil citostático similar frente às linhagens celulares tumorais e não tumorais. Além disso, a mutagenicidade das amostras foi estudada através dos modelos de indução de micronúcleos in vitro (células CHO-K1) e in vivo (medula óssea de camundongos) e o potencial genotóxico foi avaliado por meio do teste Cometa alcalino em células CHO-K1. O OEBt CPQBA induziu um aumento significativo na frequência de micronúcleos (MN) em células CHO-K1, independente da concentração avaliada, enquanto o OEBt comercial aumentou de maneira significativa a frequência de MN nas maiores concentrações; os compostos mirceno, E-cariofileno e beta-pineno podem ter, em parte, contribuído para a mutagenicidade do OEBt CPQBA. A presença do sistema de metabolização exógena (fração S9) reverteu os efeitos mutagênicos de ambos OEBts, sugerindo a formação de compostos menos mutagênicos após metabolização. No teste Cometa alcalino in vitro, o OEBt CPQBA foi menos genotóxico do que o OEBt comercial, sendo que o uso da fração S9 reduziu a fragmentação do DNA induzida por OEBt comercial. O experimento de toxicidade oral aguda determinou a dose de 800 mg/kg como dose máxima tolerável (DMT) para ambos OEBts e, para tratamentos repetidos, selecionou-se a dose de 300 mg/kg. O OEBt comercial foi mutagênico (aumento na frequência de MN em eritrócitos policromáticos, MNPCE) nas três doses avaliadas, enquanto OEBt CPQBA induziu um aumento significativo na frequência de MNPCE apenas nas duas maiores doses. Através da abordagem metabolômica de fingerprint (ESI-MS seguido de análise de PLS-DA com VIP score) e da técnica de microextração em fase sólida de voláteis dispersos em headspace, foi possível evidenciar diferenças na composição química dos OEBts CPQBA e comercial antes e após o tratamento com fração S9. Concluindo, o OEBt CPQBA apresenta um efeito antioxidante mais evidente, além de ser menos genotóxico/mutagênico do que OEBt comercial; essas diferenças biológicas estão relacionadas com as variações encontradas na composição química. Estes resultados indicam uma potencial segurança no uso terapêutico de OEBt CPQBA, o que poderá ser comprovado em estudos complementares (AU)

Processo FAPESP: 13/13196-0 - Óleo essencial de Baccharis trimera (Less.) DC.: estudos de genotoxicidade, mutagenicidade e metabolismo
Beneficiário:Adriana Della Torre
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado