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Efeitos da exposição à ivermectina em ratos e coelhos: aspectos reprodutivos

Texto completo
Autor(es):
Natalia Moreira
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia
Data de defesa:
Membros da banca:
Helenice de Souza Spinosa; Silvana Lima Gorniak; Claudio Alvarenga de Oliveira; Milena Rodrigues Soares; Ana Cristina Tasaka
Orientador: Helenice de Souza Spinosa
Resumo

A ivermectina é uma lactona macrocíclica usada como agente antiparasitário de amplo espectro de ação contra nematelmintos e artrópodes. É empregada, principalmente, no controle de infecções parasitárias de animais domésticos, e recentemente vem sendo utilizada em seres humanos para o tratamento da oncocercose, escabiose e pediculose. Em mamíferos, diversas evidências indicam que as lactonas macrocíclicas interagem com canais de cloro mediados pelo ácido gama-aminobutírico (GABA). Sabe-se que o sistema GABAérgico está envolvido com a manifestação do comportamento sexual e estudo prévios mostraram que a ivermectina prejudicou o comportamento sexual de ratos machos e fêmeas. Assim, considerando que a ivermectina pode interferir na esfera sexual, este trabalho avaliou os efeitos temporais da exposição à ivermectina (0,2 e 1,0 mg/kg, por via subcutânea) em parâmetros reprodutivos e hormonais de ratos e de coelhos. Em ratos avaliou-se peso relativo dos órgãos de machos e fêmeas, o índice gonadossomático de machos, os achados histopatológicos; o receptor de andrógeno em testículos por imunohistoquímica; concentração sérica de testosterona, FSH e LH; expressão relativa de enzimas da via esteroidogênica por reação em cadeia da polimerase em tempo real (PCR-RT); ciclo estral, desempenho reprodutivo e concentração de estradiol nas fezes de ratas. Em coelhos machos avaliou-se a concentração, a motilidade e a morfologia de espermatozoides; a integridade das membranas plasmáticas, acrossomal e mitocondrial de espermatozoides; o peso relativo dos órgãos e o índice gonadossomático; a concentração sérica testosterona; os achados histopatológicos; e a análise hematológica e bioquímica sérica. Os resultados mostraram que a administração de ivermectina em ratos: não alterou o peso relativo dos testículos, epidídimos, próstata e vesícula seminal; não modificou o índice gonadossomático; promoveu prejuízo nas células germinativas do epitélio seminífero dos testículos, achado sugestivo de prejuízo na espermatogênese e na espermiogênese de machos; não interferiu na expressão de receptor andrógeno dos testículos, bem como a expressão relativa de enzimas da via esteroidogênica; não interferiu na concentração sérica de testosterona e FSH, porém diminuiu a concentração sérica de LH; não interferiu no ciclo estral, no desempenho reprodutivo e na concentração de estradiol nas fezes de ratas. Os resultados de ratos e ratas foram discutidos considerando a interferência da ivermectina na neurotransmissão GABAérgica, bem como na via de produção dos hormônios hipofisários-gonadais. Em coelhos, não foram observadas alterações nos parâmetros da fertilidade de machos, avaliada pela concentração, motilidade e morfologia de espermatozoides, e nem no potencial de fertilização, avaliado pela integridade das membranas plasmática, acrossomal e mitocondrial dos espermatozoides; não houve interferência nos níveis séricos de testosterona, na bioquímica sérica e em parâmetros do hemograma. Esses resultados em conjunto são indicativos de que a ivermectina causa poucos efeitos prejudiciais em aspectos reprodutivos de ratos e coelhos. (AU)

Processo FAPESP: 15/03131-4 - Efeitos da exposição à ivermectina em ratos: aspectos reprodutivos em machos e fêmeas
Beneficiário:Natalia Moreira
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado