Texto completo
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| Autor(es): |
Thiago Mattos de Oliveira
Número total de Autores: 1
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| Tipo de documento: | Tese de Doutorado |
| Imprenta: | São Paulo. |
| Instituição: | Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/SBD) |
| Data de defesa: | 2018-10-31 |
| Membros da banca: |
Álvaro Silveira Faleiros;
Gilles Jean Abes;
Francine Fernandes Weiss Ricieri;
Eduardo Horta Nassif Veras
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| Orientador: | Álvaro Silveira Faleiros |
| Resumo | |
O que hoje se denomina Mon coeur mis à nu é um conjunto de notas, aforismos bombásticos, ideias de capítulos por vir, agrupados e encadernados por Poulet-Malassis após a morte de Charles Baudelaire. Em 1887, Eugène Crépet publica a \"obra\" pela primeira vez, sob o título factício Journaux intimes. Os gestos editoriais pelos quais passou desde então tendem a conter seus inacabamentos, seja recorrendo à denominação \"diário íntimo\", seja apagando editorialmente marcas da materialidade manuscrita e da provisoriedade de toda proposta de ordenação das notas. Mais recentemente, dois marcos começam a apontar para a dimensão inacabada de Mon coeur mis à nu, ainda que circunscritos a certa concepção filológica do processual: a noção de \"poética do rascunho\", cunhada por Béatrice Didier ao tratar dos escritos póstumos de Baudelaire, e a edição diplomática de 2001, realizada por Claude Pichois para a editora suíça Droz. Tomando a retradução como estratégia de tradução, propõem-se nesta tese duas traduções simultâneas de Mon coeur mis à nu: uma tradução manuscrítica (voltada para a materialidade do manuscrito e sua transcrição-tradução) e um comentário do original como possibilidade de escrita tradutória (voltado para a necessidade de traçar linhas de força que rompam com a ordenação arbitrária de Malassis e desenhem outras relações possíveis, sem cair, em contrapartida, na falsa solução da desordenação absoluta e \"primordial\"). Mon coeur mis à nu apresenta uma escrita de cólera, que tem relação, por sua vez, com a teatralidade (a encenação de certa postura encolerizada, desagradável e chocante) e com a fusée (o \"aforismo incendiário\", o processo de escrita que, atravessado pela cólera, faz-se projeto inacabado, promessa de explosão, projetos-projéteis lançados sobre a página contra a França, a modernidade, a canaille littéraire). Por fim, propomos a noção de contínuo do rascunho, que nos permite construir estratégias de edição e tradução que levem em consideração os inacabamentos de Mon coeur mis à nu, seu aspecto manuscrito, sua dispersão, seu efeito processual, sua cólera que, no limite, se volta contra a própria possibilidade de obra acabada. (AU) | |
| Processo FAPESP: | 15/14677-8 - Entre o texto e o não texto: o contínuo do rascunho em tradução em Mon coeur mis à nu, de Charles Baudelaire |
| Beneficiário: | Thiago Mattos de Oliveira |
| Modalidade de apoio: | Bolsas no Brasil - Doutorado |