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Avaliação do impacto do transplante de células-tronco hematopoéticas sobre os aspectos vasculares da esclerose sistêmica

Texto completo
Autor(es):
Marianna Yumi Kawashima Vasconcelos
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (PCARP/BC)
Data de defesa:
Membros da banca:
Maria Carolina de Oliveira Rodrigues; Andrea Tavares Dantas; Carolina de Souza Müller; Fabíola Reis de Oliveira
Orientador: Maria Carolina de Oliveira Rodrigues
Resumo

A esclerose sistêmica (ES) é uma doença autoimune crônica caracterizada por processos fisiopatológicos, como disfunção vascular, inflamação e fibrose progressiva, que afetam a pele e órgãos internos. A vasculopatia na ES envolve uma interação complexa de danos endoteliais, inflamação e remodelação vascular, contribuindo para a progressão da doença. Nas últimas décadas, o transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas (TACTH) emergiu como uma opção terapêutica promissora, com evidências de melhora em aspectos cutâneos e funcionais, embora os impactos sobre a microvasculatura ainda sejam pouco explorados. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do TACTH na microvasculatura de pacientes com ES. Realizou-se um estudo longitudinal prospectivo, com pacientes submetidos ao TACTH e acompanhados por até 12 meses. Foram realizadas análises seriadas por capilaroscopia periungueal, imunohistoquímica em biópsias de pele, e avaliação de marcadores séricos relacionados à vasculopatia e inflamação, por meio da tecnologia luminex. Também foram analisados desfechos clínicos, como pontuação do escore modificado de Rodnan, fenômeno de Raynaud e complicações vasculares, como as úlceras digitais, além dos impactos na qualidade de vida dos pacientes. Os resultados demonstraram uma melhora significativa nos padrões vasculares avaliados por capilaroscopia, incluindo aumento no número de capilares e redução de megacapilares aos 180 e 360 dias pós-transplante. Na análise de imunohistoquímica, constatou-se aumento da expressão do VEGFR-2 nas biópsias de pele um ano após o transplante. Na análise sérica, foi observado aumento de VEGF-A e angiopoetina-2 aos 180 dias, acompanhado por redução de endotelina-1 e VEGF-C em períodos específicos. Clinicamente, houve melhora no escore de Rodnan e redução nos sintomas de Raynaud, úlceras digitais e dismotilidade esofágica. Também foi evidenciado uma melhora na qualidade de vida dos pacientes principalmente relacionados aos aspectos físicos da doença. Apesar dessas evidências promissoras, o estudo apresentou limitações, como número reduzido de participantes e impacto da pandemia de COVID-19 no acompanhamento clínico. Concluímos que o TACTH exerce efeitos benéficos nos aspectos vasculares da ES, incluindo regeneração endotelial e melhora clínica, consolidando-se como uma abordagem terapêutica viável para pacientes selecionados. Estudos futuros são necessários para compreender melhor os mecanismos subjacentes e otimizar os protocolos terapêuticos. (AU)

Processo FAPESP: 18/20339-6 - Avaliação do impacto do transplante de células-tronco hematopoéticas sobre os aspectos vasculares da Esclerose Sistêmica
Beneficiário:Marianna Yumi Kawashima Vasconcelos
Modalidade de apoio: Bolsas no Brasil - Doutorado Direto