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Uso de semeadura direta de espécies arbóreas nativas para restauração florestal de áreas agrícolas, sudeste do Brasil

Texto completo
Autor(es):
Ingo Isernhagen
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Piracicaba.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
Data de defesa:
Membros da banca:
Ricardo Ribeiro Rodrigues; Pedro Henrique Santin Brancalion; Flávio Bertin Gandara Mendes; Adriana de Fatima Rozza; Ricardo Augusto Gorne Viani
Orientador: Ricardo Ribeiro Rodrigues
Resumo

O número de ações de restauração ecológica no bioma Mata Atlântica tem crescido, e a semeadura direta tem sido apontada como uma técnica complementar ao plantio de mudas de árvores, especialmente devido à possibilidade de diminuição dos custos. O presente experimento buscou testar o uso dessa técnica em larga escala, ao propor a rápida ocupação e cobertura (preenchimento) de duas áreas agrícolas degradadas com baixa resiliência através da semeadura direta de espécies de rápido crescimento e boa cobertura de copa. Em um segundo momento buscou-se utilizar a semeadura direta para enriquecimento dessas áreas. A implantação ocorreu na Usina São João, Araras, estado de São Paulo, em duas Áreas de Preservação Permanente abandonadas após uso agrícola (Área 1 e Área 2). Para a semeadura direta de preenchimento foram utilizadas 16 espécies arbóreas nativas, em cujos lotes de sementes foram realizados testes de germinação em laboratório. O delineamento experimental foi o inteiramente aleatorizado na Área 1 (48 parcelas de 200m2 0,96ha) e o de blocos casualizados na Área 2 (30 parcelas de 300m² 0,90ha). Foram aplicados três tratamentos em campo, baseados em três diferentes densidades de sementes, calculadas com base em uma projeção de indivíduos esperada no campo (Área 1 16 repetições / Área 2 10 repetições). Ao longo de 15 meses após a semeadura (A.S.) na Área 1 e 6 meses A.S. na Área 2 foi monitorado o número de indivíduos sobreviventes. Na Área 1 também ocorreu o monitoramento de altura e cobertura de copa nas linhas de semeadura (CL) por 34 meses A.S. As taxas de emergência foram cerca de 70-90% menores que as obtidas em laboratório. Mesmo assim, as densidades de indivíduos foram elevadas e diretamente relacionadas às diferentes densidades de sementes utilizadas, alcançando-se projeções de 1.215 ind.ha-1 a 13.002 ind.ha-1. Em um a três meses A.S. a densidade de indivíduos já tinha alcançado valores próximos aos obtidos no final dos monitoramentos. Aos 34 meses A.S. houve registro de indivíduos com <0,50m a 7,01-8,0m de altura, com o maior percentual (29,05%) na faixa dos 3,01m 4,0m de altura. Também aos 34 meses A.S., mais de 70% das linhas de semeadura apresentaram valores de CL acima de 101%. O custo para aquisição de sementes para obter uma muda no campo a partir de semeadura direta da maioria das espécies utilizadas pode ser duas a três vezes menor que o preço de uma muda em viveiro. Após o preenchimento das duas áreas experimentais, foram implantadas as semeaduras diretas de enriquecimento, com 30 espécies na Área 1 e 35 espécies na Área 2. Problemas relacionados à infestação por plantas daninhas, revolvimento do solo por animais e predação por formigas dificultaram a emergência das plântulas. A semeadura direta de espécies arbóreas nativas de preenchimento mostrou-se efetiva tanto técnica como economicamente para a ocupação inicial de áreas agrícolas em restauração. Porém, a efetividade é dependente das espécies utilizadas e das condições específicas do local, como o solo, sendo necessário realizar diagnósticos prévios à implantação e mesmo considerar o plantio de mudas como técnica complementar. (AU)

Processo FAPESP: 07/50465-9 - Uso da semeadura direta de espécies arbóreas nativas para recuperação de áreas degradadas na Usina São João, Araras, SP
Beneficiário:Ingo Isernhagen
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado