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Avaliação somatossensorial do sistema trigeminal em condições dolorosas crônicas: testes quantitativos sensoriais e limiar de percepção atual

Texto completo
Autor(es):
Priscila Brenner Hilgenberg Sydney
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: Bauru.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/SDB)
Data de defesa:
Membros da banca:
Paulo Cesar Rodrigues Conti; Daniela Aparecida de Godoi Gonçalves; Jose Henrique Rubo; Paulo Sergio da Silva Santos; Rafael dos Santos Silva
Orientador: Paulo Cesar Rodrigues Conti
Resumo

A dor crônica envolve complexos processos de gênese e condução neural e é decorrente da ativação de mecanismos periféricos e centrais de manutenção. Muitos pacientes crônicos são refratários aos diferentes tipos de tratamento propostos, o que gera a suspeita de que de alguma maneira estes não estão sendo totalmente eficazes. O objetivo deste trabalho é avaliar os mecanismos de condução, manutenção e modulação da dor em diferentes condições dolorosas crônicas. Foram avaliadas 92 mulheres, divididas em 5 grupos: Grupo I, 20 pacientes com Dor Miofascial da musculatura mastigatória; Grupo II, 20 pacientes com Fibromialgia; Grupo III, 20 pacientes com Cefaleia Crônica Diária; Grupo IV, 12 pacientes com Neuralgia Trigeminal e Grupo V, 20 pacientes saudáveis assintomáticas. Foram aplicados dois questionários, o IDATE e o OHIP-30, para mensuração do estado ansioso e da qualidade de vida relacionada a condição dolorosa diagnosticada, respectivamente. Todas as pacientes foram submetidas a Testes Quantitativos Sensoriais, como: Limiar de Dor à Pressão, Limiar de Detecção Mecânico, Limiar Doloroso Mecânico, Tolerância à Dor Isquêmica, Sensibilidade Dolorosa ao Frio, Sensação Pós-Estímulo e Controle da Modulação da Dor. Além disso, um Teste Eletrodiagnóstico, que determinou o Limiar de Percepção Atual, através do uso do aparelho Neurometer CPT/C (Neurotron®) foi realizado. Foram avaliadas 3 regiões em cada paciente: trigeminal, cervical e extratrigeminal. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística (ANOVA, Tukey, t-Student) adotando-se um nível de significância de 5% para todos os testes. Todos os grupos experimentais apresentaram altos níveis de ansiedade e grande comprometimento da sua qualidade de vida, quando comparados ao controle. Os Grupos I, II e III apresentaram valores de Limiar de Dor à Pressão significativamente menores do que o Grupo V. As mulheres do Grupo III apresentaram Limiar de Detecção Mecânico significativamente maior do que o Grupo V. Os Grupos I, II, III e IV apresentaram valores de Limiar de Doloroso Mecânico e Tolerância à Dor Isquêmica estatisticamente menores do que o Grupo V. A capacidade de ativação do mecanismo de modulação endógeno, avaliada pelo teste de Controle de Modulação da Dor, está comprometida nas mulheres com Dor Miofascial e Fibromialgia. Não houve diferença estatisticamente significante no Limiar de Percepção Atual (CPT) entre os Grupos I, II, III e V. Pacientes do Grupo IV apresentaram CPT para a frequência de 5Hz significativamente menor do que as do Grupo V na região trigeminal, indicando uma hiperestesia de origem inflamatória no nervo trigêmeo, caracterizando-se a dor neuropática. Ainda, de acordo com os resultados encontrados, os Grupos I, II e III parecem dividir um mecanismo de dor e etiologia semelhantes, não apresentando danos às estruturas neurais e sim uma alteração no processamento e modulação do impulso nociceptivo, caracterizando-se uma dor disfuncional. Os resultados deste estudo mostraram evidências da presença do processo de sensibilização central e prejuízo no mecanismo de modulação endógeno em pacientes com Dor Miofascial, Fibromialgia e Cefaleia Crônica Diária. (AU)