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Irmãs do Atlântico. Escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e Havana (1763-1844)

Texto completo
Autor(es):
Ynaê Lopes dos Santos
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Tese de Doutorado
Imprenta: São Paulo.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Data de defesa:
Membros da banca:
Rafael de Bivar Marquese; Carlos de Almeida Prado Bacellar; Jaime Rodrigues; Ricardo Henrique Salles; Andrea Slemian
Orientador: Rafael de Bivar Marquese
Resumo

A presente tese de doutorado pretende analisar as razões que levaram Rio de Janeiro e Havana a se constituírem como as maiores cidades escravistas das Américas. O recorte inicial da pesquisa é o ano de 1763, quando as duas cidades transformaram-se em localidades-chave nos Impérios Ibéricos graças ao reordenamento das possessões europeias no Novo Mundo. Ainda que em meados do século XVIII Rio e Havana tivessem relações distintas com a escravidão, o que se observa a partir de 1763 é que o cativeiro urbano tornou-se cada vez mais importante para o funcionamento das duas cidades. Tal importância passa a ser operada em outra escala na última década do setecentos, principalmente após a rebelião dos escravos de Saint-Domingue (1791), quando uma série de Revoluções assolou o Mundo Atlântico questionando a totalidade do Antigo Regime. A despeito do movimento abolicionista e das independências americanas, as elites coloniais do Rio e de Havana conseguem refazer suas relações com o poder metropolitano em defesa da manutenção da escravidão e do tráfico transatlântico, que começou a ser operado numa escala nunca vista. Como espelhos que refletiam a escolha política e econômica feita pelas elites luso-brasileira e cubana, Rio de Janeiro e Havana tornaram-se não só importantes portas de entrada para os africanos escravizados, como urbes que dependiam cada vez mais de braços escravos para funcionar. Nem mesmo a assimetria política gerada em 1808 (quando o Rio de Janeiro deixou de ser capital colonial para transformar-se em Corte) alterou a forma sincrônica, e muitas vezes dialógica, por meio da qual as duas cidades lidaram com a escravidão. As semelhanças na articulação entre espaço urbano e cidade vigoraram até a década de 1840, momento em que Rio de Janeiro e Havana passaram a dividir o pouco honroso título de maiores cidades escravistas do Novo Mundo. O ano de 1844 foi especialmente relevante, pois a Rebelião de La Escalera em Havana e os novos rumos nos debates parlamentares para o fim do tráfico no Rio anunciavam mudanças que alterariam o peso da escravidão no espaço citadino. A análise sincrônica deste longo processo foi feita, sobretudo, a partir do exame de documentos que tratassem da instância urbana dessas duas cidades, mas que, ao mesmo tempo, permitissem compreender as relações das urbes com as unidades políticas que faziam parte. Por isso, a maior parte das fontes consultadas foram os documentos produzidos pelos órgãos que administravam as instâncias municipais do Rio de Janeiro e de Havana, sobretudo aquelas que diziam respeito ao governo dos escravos. Acreditasse, pois, que a escolha por essa tipologia documental permitiu a análise de três dimensões da escravidão nessas duas cidades: o cotidiano das relações escravistas em cada uma das cidades; o peso do cativeiro citadino como parte constitutiva das histórias do Brasil e de Cuba; a singular paridade que fez do Rio de Janeiro e de Havana irmãs do Atlântico. (AU)

Processo FAPESP: 08/57258-1 - As duas irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1790-1850)
Beneficiário:Ynae Lopes dos Santos
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Doutorado