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Concentrações salivares, sanguíneas e plasmáticas de Óxido Nítrico em pacientes com Doença Periodontal antes e depois do tratamento periodontal não cirúrgico

Texto completo
Autor(es):
Leonardo Raphael Zuardi
Número total de Autores: 1
Tipo de documento: Dissertação de Mestrado
Imprenta: Ribeirão Preto.
Instituição: Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto
Data de defesa:
Membros da banca:
Raquel Fernanda Gerlach; Mario Taba Junior; Paula Cristina Trevilatto
Orientador: Raquel Fernanda Gerlach
Resumo

O Óxido Nítrico (NO) faz parte de uma família de radicais livres que está envolvida em várias funções do organismo como controle cardiovascular, homeostase, formação óssea, neurotransmissão e funções imunológicas. Tem sido descrito que o NO atuaria na resposta de defesa do hospedeiro frente à infecção dos tecidos orais. Por outro lado, tem sido descrito também que quantidades excessivas de NO podem contribuir para a destruição tecidual na periodontite. Além destes aspectos muito importantes na boca, o NO é uma das moléculas de maior importância para a saúde humana, pois a sua liberação pelo endotélio dos vasos é um componente fundamental para o controle da pressão arterial. Já foi demonstrado que bactérias comensais da boca seriam responsáveis pela produção de nitritos que, no estômago, seriam convertidos a NO e este absorvido. Como as quantidades de nitrito na saliva são cerca de mil vezes maiores do que aquelas detectadas no sangue total, acredita-se que o nitrito da saliva possa ter repercussão no NO do sangue total e possivelmente possa também ter algum efeito na regulação de eventos sistêmicos, como a própria pressão arterial. O número de trabalhos sobre NO na saliva encontrados na literatura científica de língua inglesa não soma 2 dezenas, e pela importância do assunto, faz-se necessário conhecer em detalhes as concentrações de nitrito nos diferentes tipos de saliva, no sangue total, eritrócitos e plasma em pacientes com doença periodontal e controles, antes e depois do tratamento. As hipóteses deste estudo são: 1- Que as concentrações de nitrito sejam menores na saliva total de indivíduos com doença periodontal e que estas aumentem após o tratamento periodontal; 2- Que haveria o mesmo perfil de variação nas concentrações de nitrito no sangue total, eritróticos e plasma vista na saliva total. No presente estudo avaliaram-se as concentrações de NO na saliva total, saliva sumandibular/sublingual, parotídea, no sangue total, eritrócitos e plasma de pacientes controle e pacientes com doença periodontal crônica, com coletas antes e 3 meses após o tratamento periodontal não cirúrgico. A seguir testou-se se eram significativas as diferenças entre os valores obtidos antes e após o tratamento e foram comparados os perfis dos resultados de nitrito na saliva e sangue total. Foram realizadas as dosagens de NO pelo método de análise de quimiluminescência. Os resultados obtidos mostraram que em todos os parâmetros clínicos houve diferença estatisticamente significante antes e após o tratamento periodontal (DPA e DPD), nos grupos controle antes e depois do tratamento (CA e CD) e nos controles antes e doentes antes do tratamento (CA e DPA).Sangramento a sondagem: (DPA versus DPD) p<0,0001, (CA versus CD) p=0,0005 , (CA versus DPA) p<0,0001. Nivel clinico de inserção: (DPA versus DPD) p<0,0001, (CA versus CD) p=0,01 , (CA versus DPA) p<0,0002. Profundidade de sondagem: (DPA versus DPD) p<0,0001, (CA versus DPA) p<0,0001. Sítios maiores que 4 mm: (DPA versus DPD) p<0,0001, (CA versus DPA) p<0,0001. Tal fato confirma um tratamento periodontal realizado com sucesso. Na saliva total, houve significante diminuição das concentrações de NO entre os controles antes e os doentes antes do tratamento (CA versus PDA), com p= 0,04. No sangue total houve diminuição das concentrações de NO antes e após o tratamento periodontal (DPA versus DPD), p=0,026. Já nos eritrócitos antes e após o tratamento (DPA versus DPD) houve significante diminuição, p=0,02. As concentrações de nitrito na saliva total tiveram medianas igual a 0,69 (Q1: 0,46/ Q3: 1,44) no grupo CA, mediana de 0,55 (Q1: 0,39/ Q3: 1,55) no grupo CD, mediana de 0,44 (Q1: 0,26/ Q3: 0,81) no grupo DPA e mediana de 0,38 (Q1: 0,22/ Q3: 0,69) no grupo DPD. As concentrações de nitrito na saliva submandibular/sublingual tiveram medianas igual a 1,86 (Q1: 0,61/ Q3: 4,59) no grupo CA, mediana de 0,64 (Q1: 1,82/ Q3: 4,37) no grupo CD, mediana de 2,37 (Q1: 0,47/ Q3: 4,79) no grupo DPA e mediana de 2,69 (Q1: 1,69/ Q3: 3,43) no grupo DPD. As concentrações de nitrito na saliva parotídea apresentaram médias de 0,58, e desvio padrão de 0,32 no grupo CA, média de 0,69 e desvio padrão de 0,33 no grupo CD, média de 0,69 e desvio padrão de 0,36 no grupo DPA e média de 0,85 e desvio padrão de 0,58 no grupo DPD. As concentrações de nitrito no sangue total tiveram medianas igual a 1,41 (Q1: 1,1/ Q3: 2,21) no grupo CA, mediana de 0,99 (Q1: 0,58/ Q3: 2,11) no grupo CD, mediana de 1,61 (Q1: 1,12/ Q3: 2,3) no grupo DPA e mediana de 1,45 (Q1: 0,61/ Q3: 0,87) no grupo DPD. As concentrações de nitrito nos plasma tiveram medianas igual a 0,51 (Q1: 0,36/ Q3: 1,09) no grupo CA, mediana de 0,63 (Q1: 0,56/ Q3: 1,82) no grupo CD, mediana de 0,60 (Q1: 0,37/ Q3: 0,97) no grupo DPA e mediana de 0,5 (Q1: 0,39/ Q3: 0,83) no grupo DPD. As concentrações de nitrito no eritrócitos apresentaram médias de 0,45 e desvio padrão de 0,41 no grupo CA, média de 0,46 e desvio padrão de 0,47 no grupo CD, média de 0,57 e desvio padrão de 0,44 no grupo DPA e média de 0,29 e desvio padrão de 0,22 no grupo DPD. As concentrações de nitrito foram da ordem de micromolar na saliva e de nanomolar no sangue total, guardando uma relação de cerca de 1000 vezes entre estes 2 fluidos. As concentrações de nitrito obtidas foram decrescentes na seguinte ordem: saliva total, saliva sumandibular/sublingual, saliva parotídea, eritrócitos sangue total e plasma. Na saliva, os pacientes do grupo DPA e DPD apresentaram concentrações menores de nitrito em relação ao CA e CD (p<0.05), e o tratamento periodontal não teve efeito sobre as concentrações de nitrito. Também houve diminuição estatisticamente significante nas concentrações de nitrito no sangue total e eritrócitos após o tratamento periodontal (DPA versus DPD). Os resultados sugerem que não há relação entre as concentrações salivares e sanguíneas de nitrito. As concentrações salivares diminuídos depois do tratamento em pacientes com doença periodontal podem talvez estar associados com aumento dos níveis de arginase. Além disso, aumento nas concentrações sanguíneas de nitrito parecem estar associados aos aumentos de mediadores inflamatórios como IL-6, proteina C reativa, entre outros. As concentrações de nitrito no sangue total sugerem que a diminuição após o tratamento possa ser resultado da diminuição na atividade inflamatória nos pacientes com doença periodontal, já caracterizada anteriormente neste grupo de pacientes. (AU)

Processo FAPESP: 09/13586-8 - Caracterização de uma gelatinase de 150 kDa presente no fluido gengival de pacientes com doença periodontal crônica
Beneficiário:Leonardo Raphael Zuardi
Linha de fomento: Bolsas no Brasil - Mestrado