Resumo
A Fundação Parque Zoológico de São Paulo (FPZSP) possui uma unidade de compostagem (UPCO) que aproveita a matéria orgânica de várias origens como: excremento de animais, oriundos de varias partes do mundo, carcaças, sedimentos e coluna de água do lago, restos de cama de animais, resíduos de poda dos jardins do Parque, restos vegetais da mata atlântica e resíduos alimentares. Atualmente este material destina-se a fertilização de áreas agrícolas do Zoológico, as quais produzem grande parte dos alimentos que são consumidos pelos animais do Parque, fechando assim um ciclo de sustentabilidade. Além disso, a compostagem evita que a matéria orgânica seja depositada em aterros sanitários, aumentando o volume de lixo. A riqueza microbiológica deste material é incalculável, visto que ali poderão ser encontradas inúmeras espécies que ainda não foram descritas e/ou cultivadas. Baseado nisso, foi instalada uma parceria entre a UNIFESP e FPZSP para nuclear um programa de microbiologia aplicada com o objetivo de prospectar esta diversidade e aplicá-la em processos biotecnológicos. O objetivo geral deste projeto é isolar, preservar e caracterizar os microrganismos da compostagem, bem como avaliar a sua aplicabilidade. Nossos dados preliminares demonstram que os métodos tradicionais de isolamento e preservação podem ser utilizados na prospecção dos microrganismos cultiváveis da compostagem, no entanto, estima-se que a maior parte dos microrganismos que habitam este material não seja passível de cultivo, portanto, a diversidade da microflora nos vários estágios de maturação da compostagem deverá ser avaliada por meio de metagenômica, o que será feito em colaboração com o pesquisadores do Instituto de Química da USP. Os microrganismos isolados serão identificados por espectrometria de massa (MALDI/TOF-MS) uma metodologia que está sendo implementada no laboratório de Biofísica do INFAR/UNIFESP. Finalmente, os isolados da compostagem serão testados para produção de enzimas de grande interesse industrial, como as celulases, amilase e proteases. A expectativa é que este projeto de pesquisa gere novas ferramentas de aplicação biotecnológica e uma coleção de microrganismos e genes provenientes de um nicho ecológico ainda não explorado. (AU)
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