Resumo
Os mixozoários (Myxozoa) englobam uma grande diversidade de endoparasitos (recentemente considerados cnidários altamente divergentes), sendo que atualmente são conhecidas cerca de 2400 espécies e algumas são economicamente importantes. Estes parasitos são agrupados em dois grandes clados (atualmente considerados como classes), o primitivo Malacosporea Canning, Curry, Feist, Longshaw & Okamura, 2000 (malacosporídeos) e o derivado Myxosporea Bütschli, 1881 (mixosporídeos). O projeto proposto é parte do continuo estudo de mixosporídeos que infectam peixes de importância econômica, com foco na sistemática, diversidade, biologia e potencial patogênico destes parasitos na Amazônia. Dos peixes que compõe a grande diversidade íctica da bacia Amazônica, destacam-se pela abundância e pela grande aceitação comercial, aqueles dos gêneros Cichla (Perciformes: Cichlidae) e Plagioscion (Perciformes: Sciaenidae), que são importantes fontes de renda e alimento para os habitantes da região. O gênero Cichla inclui 15 espécies piscívoras (popularmente conhecidas como Tucunaré), que contribuem de forma importante na estrutura e função dos ecossistemas aquáticos da Amazônia. O gênero Plagioscion incluí cinco espécies de sciaenides, sendo que quatro ocorrem na Amazônia. Estas espécies são de particular importância para a pesca comercial e de subsistência. Devido à adaptação ao ambiente de água doce, são também importantes indicadores biogeográficos de eventos geológicos ocorridos nesta região da América do Sul. Para caracterizar a diversidade e biologia de mixosporídeos, bem como o efeito da infecção sobre os hospedeiros, serão realizadas análises morfológicas e sequenciamento da pequena subunidade do DNA ribossomal (SSU-rDNA) (importante na identificação das espécies), e da região intergênica ribossomal (ITS-1), (para descrever a variabilidade genética intraespecífica). A morfologia e detalhes da relação parasito-hospedeiros serão investigados pelo exame das estruturas dos plasmódios, esporogênese e reação dos tecidos dos hospedeiros usando microscopia de luz, microscopia eletrônica de transmissão e de varredura e microscopia confocal de varredura a laser. A patogenicidade dos parasitos será também avaliada através de exames macroscópicos dos peixes infectados, visando identificar por exemplo, a presença de inchaço, ascite, descoloração, emaciação. As amostras dos parasitas utilizados neste estudo serão obtidas em trabalhos de campo realizados nas regiões dos municípios de Santarém, PA, Manaus, AM e Macapá, AP. As amostras serão fixadas conforme a metodologia preconizada para as técnicas acima mencionadas, sendo em formalina tamponada 10% para análises morfológicas; em etanol absoluto para análises moleculares; em glutaraldeído 2,5% para microscopia eletrônica; e em paraformaldeído 4% para microscopia confocal de varredura a laser. (AU)
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