Resumo
A COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) tornou-se um problema de saúde mundial, com mais de um milhão de casos confirmados e 50.000 óbitos até o inicio de abril de 2020. Nas suas formas mais graves, COVID-19 se manifesta na forma de febre, tosse, fadiga, dispneia, cefaleia e pode progredir para a síndrome do desconforto respiratório e óbito. Os quadros mais graves são caracterizados por intenso processo inflamatório, com importante recrutamento de neutrófilos e macrófagos classicamente ativados. Também encontram-se altas concentrações de citocinas inflamatórias, como IL-6 e IL-1², que é produzida de maneira dependente do inflamassoma, um complexo de proteínas intracelulares que promove processos inflamatórios. A presença de altas concentrações de IL-1² em pacientes sugere importante participação do inflamassoma na patogênese da COVID-19. Dessa forma, pretendemos avaliar a ativação inflamassoma em resposta à infecção pelo SARS-CoV-2 em culturas celulares e em material clínico obtido de pacientes com COVID-19. Pretendemos ainda, monitorar a ativação do inflammasoma em um estudo prospectivo com 60 pacientes internados por SARS-CoV-2 no HC-FMRP que serão tratados por cloroquina em combinação (ou não) com colchicina, uma droga amplamente utilizada para o tratamento de doenças mediadas pelo inflamassoma de NLRP3, como gota. A colchicina impede a formação de dímeros de tubulina, inibindo diversos processos celulares, incluindo a ativação do inflammasoma. Dessa forma, o desenvolvimento do presente projeto de pesquisa deve contribuir diretamente para a compreensão da patofisiologia da COVID-19, além de possibilitar fundamentação mecanística acerca do uso de colchicina como possível tratamento para pacientes com COVID-19. (AU)
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